Recorde na Bolsa: por que o volume de pessoas físicas cresceu 31% em 2018

Tiago Reis*

13 de janeiro de 2019 | 05h00

Não é só uma questão de otimismo. Pelo terceiro ano consecutivo, aumentou o número de pessoas físicas investindo na bolsa de valores brasileira, a B3, que atingiu o número recorde de 813.291 investidores em 2018. O aumento de quase 200 mil pessoas em comparação com o ano de 2017, reflete, muito além do otimismo de um melhor cenário econômico em 2019, um movimento natural em busca de rentabilidades mais interessantes do que as proporcionadas pela renda fixa.

Desde a queda da taxa de juros no País, mantida pela última decisão do Copom, a renda fixa, que historicamente garantia rentabilidades satisfatórias, passou a não garantir tantos retornos assim. Por esse motivo, muitos investidores brasileiros resolveram mudar para a renda variável e se inscreveram na corrida pela rentabilidade no mercado de ações.

O crescimento do número de investidores ativos, além dos aumentos graduais e históricos do índice Ibovespa nos últimos meses, reforçam ainda mais a tese de que o mercado de renda variável irá continuar seguindo uma sequência de alta em suas negociações no médio prazo, o que, por consequência, tende a aumentar de maneira direta os números da B3 ao longo do tempo.

Esse movimento positivo também é um reflexo do trabalho de promoção do mercado de capitais como um meio de desenvolvimento do País. Ao redor do mundo, especialmente em países desenvolvidos, investir em ações sempre foi a opção mais rentável e inteligente para se construir no patrimônio no longo prazo, apesar de alguma volatilidade no curto e médio prazo. Por aqui, essa acaba sendo a principal característica observada quando se fala em bolsa e valores, mas acredito que esse pensamento esteja em transformação.

Conforme a população tenha entendimento do real propósito e das vantagens de se investir em ações com foco no longo prazo, assumindo a postura de sócio e com foco na participação de seus resultados, esse cenário tende a mudar ao longo do tempo. No longo prazo, a renda variável é o investimento mais rentável em termos reais ao redor do mundo, como evidenciado em inúmeros estudos, além de que as empresas tendem a apresentar crescimento ao longo do tempo, elevando seus pagamentos de dividendos e apresentando valorização em suas cotações.

Consideramos as ações os investimentos mais inteligentes para quem deseja construir patrimônio e ter uma aposentadoria digna no futuro. É importante lembrar, no entanto, que para se obter retornos consistentes no mercado, às vezes são necessários muitos anos, e no curto prazo a volatilidade pode jogar contra.

*Tiago Reis, fundador e CEO da Suno Research, consultoria de análise financeira voltada para investidores individuais. Analista de Investimentos com certificação da CNPI (Certificação Nacional dos Profissionais de Investimento)

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