Reconhecimento facial para autenticar identidades é a nova grande revolução

Reconhecimento facial para autenticar identidades é a nova grande revolução

Diego Martins*

24 de setembro de 2020 | 04h30

Diego Martins. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ao longo do tempo passamos por algumas transformações que marcaram a vida das pessoas e dos negócios e mudaram a forma como nos relacionamos. A digitalização da sociedade trouxe praticidade e novas formas de consumo que vão se aprimorando a cada dia. Mais do que isso, a tecnologia assumiu um papel importante: o de combate à burocracia, com soluções que nos colocam em contato com o mundo e solucionam problemas em questão de segundos.

Nos últimos 20 anos, o celular assumiu um papel essencial. Hoje, por meio dele, fazemos compras, conversamos, fotografamos, abrimos conta em banco, pedimos o transporte para nos levar até algum lugar, alugamos um apartamento… Para tudo isso, comprovamos nossa identidade, o que nos faz chegar até a próxima grande revolução.

A todo tempo temos que provar que somos quem dizemos ser. Para entrar em um prédio comercial, precisamos mostrar o crachá. Para fazer um pagamento, temos o cartão de crédito. Para uma consulta médica, a carteirinha do convênio. Todas essas autenticações existem para proteger nossa identidade e garantir que nenhuma pessoa se passe por outra. Mas, além de burocráticas e complexas, elas ainda não são as mais seguras.

Um levantamento divulgado este ano pela bandeira Visa mostra que o Brasil é o segundo país do mundo com mais fraudes de identidade no comércio virtual. No setor financeiro, cerca de 25% da inadimplência acontece pelo mesmo motivo e estima-se que quase 10% das consultas médicas via plano de saúde não são feitas pelos titulares. E se tivéssemos uma forma de identificação única, que pudesse facilitar a vida das pessoas e tornar tudo mais simples?

É aí que entra o reconhecimento facial. As pessoas são únicas, com características e pontos biométricos únicos. Com apenas uma foto, é possível autenticar a sua identidade e garantir que você é você. Sem toques, cartões, chaves ou carteirinhas. Isso já está acontecendo e revolucionando a forma como consumimos produtos e serviços. Empresas de diversos setores da economia já têm utilizado essa tecnologia para melhorar a experiência do cliente e evitar fraudes de identidade. O sistema financeiro, por exemplo, teve um aumento de 35% no número de transações suspeitas de março a julho e já é um dos grandes beneficiados.

No ambiente online, o e-commerce também tem adotado o reconhecimento facial como solução, uma vez que registrou um aumento de fraudes de 60% no mesmo período. A telemedicina, que se mostrou tão importante em tempos de pandemia, utiliza o reconhecimento facial para autenticação de médicos e pacientes e mais: vemos o movimento do varejo para impulsionar os pagamentos com a face que, além de trazer segurança, diminui a fricção e melhora a experiência do consumidor.

Hoje, é impossível pensar em uma sociedade que prefira a burocracia à inovação. A evolução da tecnologia nos fez chegar até o reconhecimento facial, que, por ser simples e seguro, já iniciou uma nova revolução. O mais interessante é que o Brasil está entre os países que lideram essa discussão. Por isso, não se assuste se chegarmos rapidamente ao dia em que nossa face irá substituir documentos, cartões, chaves, dinheiro e até os bolsos das calças.

*Diego Martins, fundador e CEO da Acesso Digital

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