Receita aponta repasse de R$ 338 mil de agência de turismo para lobista

Receita aponta repasse de R$ 338 mil de agência de turismo para lobista

Quebra de sigilo fiscal de empresa de Milton Pascowitch, preso na Lava Jato, mostra pagamento da CVC, que alega não ter contrato com a Jamp Engenheiros

Redação

04 de junho de 2015 | 09h59

Por Mateus Coutinho e Fausto Macedo

Contratada por várias empreiteiras investigadas na Lava Jato e apontada como empresa de fachada pela força-tarefa da operação, a Jamp Engenheiros Associados, do lobista Milton Pascowitch e seu irmão José Adolfo Pascowitch, tem entre suas contratantes uma empresa sem relação nenhuma com o setor de engenharia: a operadora de turismo CVC.

De acordo com a quebra de sigilo feita pela Receita Federal, de 2007 a 2009, a empresa de viagens pagou um total de R$ 338,5 mil à companhia de Pascowitch, que não possui nenhum funcionário registrado e funciona no mesmo endereço de outras 7 empresas dos irmãos Pascowitch. A própria CVC, procurada pela reportagem, não deu explicações sobre o motivo dos pagamentos e informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “a agência de viagens não mantém nenhum contrato comercial com a Jamp Engenheiros.”

A CVC não é investigada pela Justiça e nem pela força-tarefa da Lava Jato, que mira os contratos suspeitos de grandes empreiteiras que possuem obras na Petrobrás.

ABAIXO, TRECHO DO RELATÓRIO DA RECEITA FEDERAL SOBRE AS EMPRESAS QUE CONTRATARAM A JAMP

cvc1

Somente entre 2003 e 2014, a Jamp recebeu R$ 80,5 milhões da Engevix, investigada na Lava Jato por suspeita de pagamento de propinas a diretores da Petrobrás. O volume movimentado e a falta de informações sobre a estrutura da Jamp levantaram suspeitas da força-tarefa da Lava Jato e motivaram o pedido de prisão de Milton Pascowitch, detido na 13ª fase da operação, no mês passado.

Lobista Milton Pascowitch, preso pela Lava Jato, acusado de pagar propina

Lobista Milton Pascowitch, preso pela Lava Jato, acusado de pagar propina

“É altamente improvável, para não dizer impossível, que uma empresa que de fato houvesse funcionado, sobretudo uma empresa que tenha recebido ao longo de 10 anos de (não) funcionamento mais de R$ 80 milhões somente de um de seus cliente (Engevix), não tivesse nesse período um empregado sequer registrado em seu quadro funcional”, afirma a Procuradoria da República, ao requerer a prisão de Pascowitch.

VEJA OUTRO TRECHO DO RELATÓRIO DA RECEITA:

cvc2

Além disso, a Jamp, cujo patrimônio saltou de R$ 573 mil em 2003 para R$ 28,2 milhões em 2013, repassou R$ 1,4 milhão entre 2011 e 2012 para a empresa JD Assessoria, do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, e R$ 800 mil, entre 2013 e 2014, para a empresa D3TM Consultoria, do ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, preso na Lava Jato. O Ministério Público Federal suspeita que estes repasses para outras empresas seriam propinas pagas pelas empreiteiras para conseguir vencer licitações na estatal referentes a licitações do pré-sal.

A reportagem entrou em contato com o escritório do advogado de Milton Pascowitch e deixou recado para o defensor, mas ele não foi encontrado e nem retornou o contato.

Tudo o que sabemos sobre:

CVCJamp Engenheirosoperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: