Receita aponta ‘confusão operacional e financeira’ entre Instituto Lula e empresa de palestras do ex-presidente

Receita aponta ‘confusão operacional e financeira’ entre Instituto Lula e empresa de palestras do ex-presidente

Operação Aletheia, que pegou Lula, cruzou dados das duas entidades e constatou que 60% das receitas do Instituto e 47% da LILS têm origem em pagamentos e doações das seis maiores empreiteiras do cartel da Lava Jato

Ricardo Brandt, Julia Affonso, Andreza Matais e Mateus Coutinho

04 de março de 2016 | 10h40

Foto: Marcio Fernandes/Estadão

Foto: Marcio Fernandes/Estadão

A Receita Federal aponta ‘confusão operacional e financeira’ entre o Instituto Lula e a LILS, empresa de palestras do ex-presidente, alvo nesta sexta-feira, 4, da Operação Aletheia, ápice da Lava Jato.

Um total de R$ 20 milhões foram doados ao Instituto Lula pelas cinco maiores empreiteiras envolvidas no cartel da Lava Jato. Outros R$ 10 milhões pagos à LILS.

Segundo o representante da Receita no Paraná, Roberto Leonel, que integra a força-tarefa da Lava Jato, nessa etapa da investigação foi constatado que as seis maiores empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobrás repassaram valores para as entidades ligadas a Lula.

Um volume de 60% da receita do Instituto e 47% do montante captado pela LILS tem origem em doações e pagamentos realizados pelas seis maiores empreiteiras alvo da Lava Jato, entre 2008 e 2014 – Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC, OAS e Andrade Gutierrez.

O quadro societário da LILS mostra 98% de participação de Lula e 2% de Paulo Okamotto. O Instituto é isento de tributação. Seu presidente é Paulo Okamotto.

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“A questão principal que a Receita focou na análise é o relacionamento das entradas e recursos da LILS Palestras e saídas de recursos do Instituto Lula”, destacou a Receita. “Existiria uma confusão operacional e financeira entre as duas entidades. A LILS é uma empresa cuja sede fica no endereço residencial do ex presidente. Não possui atividade operacional. A principal atividade são as palestras dadas pelo ex-presidente.”

Roberto Leonal destacou que toda a atividade operacional e logística do LILS é feita ‘por empregados e pessoas ligadas ao Instituto Lula’.

“Há uma confusão operacional, uma confusão estrutural entre as duas entidades, uma com receitas tributadas e outra com receitas isentas.”

“Destaco que ambas as entidades receberam recursos expressivos vindas de mais de duas dezenas de grandes empresas e empreiteiras algumas pagando as palestras, no caso da LILS, e outras doando recursos para o Instituto Lula. O mais importante é que na análise teremos verificação sobre a coicindicência de que as maiores empresas que pagaram palestras para a LILS, entre 2011 e 2014, são as mesmas empresas que doaram os maiores valores para o Instituto. Juntamos relatório aos autos com essa constatação. As mesmas contrataram palestras da LILS e fizeram doações nesse perído de 2011 a 2014. Ainda estamos em diligências fiscais.”

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