Receita afasta de funções comissionadas auditores sob suspeita em esquema de propinas no Rio

Receita afasta de funções comissionadas auditores sob suspeita em esquema de propinas no Rio

Sandra Manfrini/Brasília

18 de novembro de 2020 | 19h50

A Receita Federal dispensou nesta quarta-feira, 18, dois auditores-fiscais de funções comissionadas que exerciam na Delegacia do Rio de Janeiro. Os dois são alvo da Operação Armadeira 2, deflagrada hoje pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita, para investigar um esquema de arrecadação de propina no âmbito da Superintendência da Receita na 7ª Região Fiscal.

Em Portarias publicadas em edição extra do Diário Oficial da União nesta noite, a Receita está dispensando o auditor Ruy Mario Medeiros Cascardo da função de chefe da equipe de fiscalização 1 da Delegacia da Receita do Rio II, e o auditor Oscar Luiz Vieira Ferreira do encargo de substituto eventual de chefe de equipe de gestão do crédito tributário e do direito creditório 6 da mesma delegacia do Fisco no Rio.

Conforme o blog informou mais cedo, foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de envolvidos no esquema, auditores fiscais, empresários e contadores. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro que, em razão dos ‘fortes indícios da prática de atos de corrupção e de lavagem de dinheiro’, determinou o bloqueio de bens dos investigados no montante total de R$ 519.851.578,24.

Ruy Cascardo e Oscar Luiz Vieira Ferreira foram alvo de pedidos de busca e apreensão criminal, e Ruy Cascardo teve o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público Federal.

A investigação que envolveu os servidores teve como ponto de partida informações prestadas pelo ex-integrante da Delegacia da Receita Federal da Barra da Tijuca, na capital fluminense, Alexandre Ferrari Araújo, em delação premiada homologada pela Justiça Federal após a primeira etapa da Operação Armadeira realizada em outubro do ano passado. O agente revelou aos investigadores a existência de uma rede de servidores da Receita Federal no Rio envolvida em um suposto esquema de cobrança de propinas para deixar de fiscalizar e arrecadar impostos de empresas de grande porte com sede administrativa no Estado.

“É de se espantar a quantidade de agentes públicos supostamente envolvidos no esquema ilícito, o que demonstra que o esquema criminoso estaria entranhado por toda a Receita Federal no Rio de Janeiro”, escreveu o juiz Marcelo Bretas na decisão que autorizou as diligências cumpridas na manhã de hoje.

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