Recebimento de propina de Genu, ex-assessor do PP, no mensalão foi ‘deboche à Justiça e à polícia’

Delegado da PF diz que João Cláudio Genu, alvo principal da Operação Repescagem, deflagrada nesta segunda, 23, movimentou R$ 7 milhões em empresas ligadas a ele no DF, unindo mensalão e Lava Jato

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

23 de maio de 2016 | 10h33

coletivalavajato

O delegado da Polícia Federal Luciano Flores de Lima, da equipe da Operação Lava Jato, afirmou que os recebimentos de propina do ex-assessor da presidência do PP João Cláudio Genu durante julgamento do processo no mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), em 2012, foi “verdadeiro deboche” à Justiça e à polícia. Ele foi preso na manhã desta segunda-feira, 23, alvo central da 29ª fase – batizada de Operação Repescagem.

“Mesmo durante essas fase em que estava sendo processado e condenado pela maior corte do País como verdadeiro deboche à Justiça e à policia, ele continuava praticando crimes e recebendo propina”, afirmou Lima, durante entrevista coletiva, em Curitiba, na manhã desta segunda.

“Podemos fazer um paralelo entre mensalão e Lava Jato de maneira mais aprofundada neste momento”, disse o delegado. Genu foi condenado em 2012 por lavagem e corrupção no mensalão. Sua pena foi extinta por prescrição e recursos, posteriormente.

Segundo o delegado, a operação desta segunda “demonstra que apesar de existir um esquema gigantesco de corrupção instaurada há muito tempo no Brasil, destinado a sangrar os cofres públicos, em especial a Petrobrás, e mesmo essas pessoas já tendo sido processadas e até mesmo condenadas elas ainda continuam sendo investigadas e, se for o caso, presas, como na data de hoje”.

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Genu foi apontado como um dos principais braços do falecido deputado federal José Janene (PP-PR), considerado a origem das investigações da Lava Jato. “Portanto um dos criadores do esquema mensalão e um dos responsáveis por essa sangria dos cofres públicos já demonstrada no mensalão.”

A Lava Jato identificou empresas usadas por Genu, em especial de construção na capital federal, por onde transitaram R$ 7 milhões. Preso nesta segunda-feira, Lucas Amorim Alves é apontado como “sócio” de Genu em diversas empresas. “Evidenciamos diversos indícios para lavar o dinheiro desde o mensalão até a Lava Jato. Mais de R$ 7 milhões entraram nas contas dessas empresas, inclusive em nome da mulher de Genu, Cláudia, e do cunhado dele Gontijo. Depósitos sem qualquer identificação da origem.”

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