Recebi o 13º, é hora de gastar? Não é bem assim!

Daniel Prudêncio*

22 de dezembro de 2019 | 09h00

O assunto já virou clássico de final de ano. O que fazer com o 13º? A resposta é: depende. Sim, depende da situação financeira de cada pessoa. Existem alguns caminhos a serem seguidos. E normalmente eles passam por três vias: dívidas, investimentos e celebrações.

Em uma dívida de curto prazo em que seja possível quitar todo o valor com o 13º salário, esse é o melhor caminho. Isso porque quase sempre os juros de créditos e empréstimos são muito maiores do que os de investimentos. Logo, se você manter essa dívida ao mesmo tempo em que investe outro valor, estará perdendo dinheiro.

Entretanto, se não for possível quitar todas as dívidas de uma só vez, o melhor caminho é a renegociação do valor, fazendo uso do 13º para amortizar uma parte do débito, e por fim utilizando o restante para pagar as parcelas seguintes juntamente com o recebimento dos próximos salários.

Além disso, precisamos nos atentar a outro importante aspecto para o nosso dia a dia financeiro. Junto com essas negociações e pagamento de débitos anteriores, é vital sempre que possível, deixar um valor investido para imprevistos. Essa quantia é conhecida como fundo de emergência. Todos nós estamos sujeitos a acidentes, doenças, oportunidades repentinas e mudanças inesperadas. Por isso, ter um recurso sempre disponível é de extrema importância.

Os produtos normalmente utilizados para essa modalidade são os CDB’s, Tesouro Selic e fundos de liquidez diária.

Já para as pessoas que não possuem pendências financeiras, este pode ser o momento de guardar parte dos recursos para os investimentos de longo prazo como as ações, fundos multimercado, fundos imobiliários, tesouro Inflação e CDB’s de longo prazo.

Também não podemos nos esquecer que janeiro é um mês de altos gastos – IPTU, IPVA, matrícula e material escolar –. Como essa parte do saldo deve estar disponível para o uso já no próximo mês, a alocação desse valor também deve ser feita nos mesmos produtos de liquidez diária citados anteriormente.

Agora vem a última situação e também a mais prazerosa no uso do 13º. Se uma pessoa não possui dívidas e já tem os seus investimentos planejados e organizados, nada mais justo que estes valores sejam usados para as celebrações e lazer como as viagens, presentes, jantares comemorativos, etc.

Para finalizar, um assunto que tem sido muito falado nos dias atuais e deve ser abordado é o panorama atual de taxas de juros baixíssimas, principalmente, se comparado ao histórico brasileiro. Nesse cenário é mais importante ainda saber como e onde investir, já que muitos investimentos tradicionais de renda fixa estão com um rendimento baixo. Esse processo decisório pode fazer ainda mais diferença no projeto de investimento de cada um.

Por isso, uma boa ideia é aproveitar o clima de final de ano e, porque não, colocar como resolução para 2020, começar uma carteira de investimentos para realizar aqueles projetos de longo prazo? Sem dúvida, o 13º pode ser um belo empurrão. Até porque com um valor maior, é possível elaborar uma carteira de investimentos melhor e mais diversificada, para isso é sempre recomendada a ajuda de uma assessoria de investimentos para auxiliar neste processo.

*Daniel Prudêncio, assessor de investimentos da Monteverde Investimentos

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