Realocando o foco e construindo novos caminhos para a Educação

Realocando o foco e construindo novos caminhos para a Educação

Vera Murányi Kiss*

17 de junho de 2021 | 05h30

Vera Murányi Kiss. FOTO: DIVULGAÇÃO

A Covid-19 mostrou de maneira enfática como a educação é fator fundamental nos momentos de crise. As soluções em termos de conhecimento, capacitação profissional, desenvolvimento de vacinas, equipamentos médicos & produtos de proteção individual nascem nas universidades, laboratórios e instituições de pesquisa. Ao investir mais no ensino, o Brasil terá bons profissionais e novas gerações cada vez mais bem qualificadas para através de respostas às demandas urgentes, como a pandemia do último ano, contribuírem para melhoraria da qualidade de vida da população.

Mais do que nunca, o fomento da educação é importante. O Estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), intitulado “Juventude e Covid-19: impactos sobre empregos, educação, direitos e bem-estar”, indicou que 65% dos jovens entrevistados relataram que sua atividade educacional foi adversamente afetada desde o início da pandemia, como consequência do período de transição do ensino presencial para o modo online, nas fases de isolamento social e quarentena. Metade deles, acredita que a conclusão dos estudos será atrasada. Estes resultados não desmerecem às inúmeras iniciativas criativas, que foram implementadas com a missão de manter de forma contínua o ensino atuante nos últimos 12 meses, apesar das dificuldades supramencionadas e que se acumularam aos efeitos emocionais e psicológicos decorrentes do enclausuramento domiciliar dos alunos, apenas, contextualizam os muitos desafios que se somam aos já existentes na área de Educação.

Além de recuperar os danos causados pela Covid-19, é preciso considerar o cenário disruptivo, acelerado pela pandemia, de digitalização da economia e incorporação aos setores produtivos e estrutura do trabalho, da inteligência artificial, 5G, internet das coisas, machine learning e robotização, dentre outras tecnologias de ponta. Ou seja, as novas gerações precisam ser devidamente capacitadas para o trabalho nesse novo ambiente.

Somente o ensino de qualidade e inclusivo, desde a educação infantil, passando pelo fundamental, médio e superior, inclusive, o técnico, será capaz de atender à prioridade de reduzir as desigualdades sociais por meio do conhecimento e promover o desenvolvimento coletivo e individual.

Um bom exemplo de que é possível prover ensino público de qualidade é o município de Sobral, no Ceará, onde a prefeitura adotou, a partir do ano 2000, um novo plano de gestão educacional, baseado na erradicação do analfabetismo, redução da evasão escolar e valorização dos professores. Em duas décadas, os resultados são muito expressivos: na última edição do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), os alunos locais alcançaram média 9,1 nos anos iniciais do fundamental (bem acima da nacional, de 5,6), mesmo levando em conta as controvérsias sobre este índice. Salienta-se que são necessárias iniciativas capazes de prover soluções, não apenas no âmbito das políticas públicas, como também de conscientização individual e valorização da Educação por toda a sociedade.

Igualmente são preciosas as contribuições para o desenvolvimento do ensino, surgidas no meio acadêmico, instituições de pesquisa e ONGs. Podemos constatar isso nos trabalhos participantes da 20ª edição do Prêmio Péter Murányi, cujo tema é “Educação”. As inscrições permanecem abertas até 30 de junho de 2021.

Durante a pandemia, o foco primordial da sociedade esteve na Saúde, para preservar e salvar vidas, fator que tornou compreensível as dificuldades enfrentadas pelo ensino de modo geral, mas no pós-pandemia deveremos retomar o nosso olhar e ação para a Educação, que com certeza será uma seara que nos trará bons frutos.

Sem dúvida, a democratização do ensino de qualidade será fator decisivo para construirmos um mundo melhor e um novo e mais promissor futuro para as crianças e jovens, nos anos e décadas seguintes à Covid-19.

*Vera Murányi Kiss é presidente do Fundação Péter Murányi

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