Raupp interferiu por empreiteira na Petrobrás, diz delegada

Raupp interferiu por empreiteira na Petrobrás, diz delegada

Relatório da Polícia Federal isenta senador da suspeita de corrupção passiva, mas destaca empenho do peemedebista em favor da Construtora Brasília Guaíba Ltda junto à Petrobrás

Beatriz Bulla e Rafael Moraes Moura, de Brasília, e Luiz Vassallo

16 Agosto 2017 | 19h55

Valdir Raupp; Foto: Divulgação

Em relatório no qual isentou o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), do crime de corrupção passiva, a delegada Graziela Machado da Costa, da Polícia Federal, afirma que ‘foi possível confirmar’ a delação do operador Fernando ‘Baiano’ Soares, ‘quanto a interferência’ do peemedebista ‘para a contratação da empresa Construtora Brasília Guaíba LTDA pela Petrobrás, através do acesso’ ao diretor da área de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. Segundo o documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, no entanto, o crime de ‘advocacia administrativa’ já está prescrito.

Documento

Raupp é investigado, neste inquérito, de atuar em favor da construtora Brasília Guaíba na Petrobrás. O relatório da PF foi encaminhado ao relator da Lava Jato no STF, ministro Luiz Edson Fachin, que deve encaminhar o material à PGR.

Em delação premiada, Fernando Baiano falou sobre a interferência de Raupp em 2009 para a contratação da construtora Brasília Guaíba pela Petrobras por meio de acesso ao ex-diretor Paulo Roberto Costa. Em troca, segundo o delator, ele teria contado doações para a campanha eleitoral.

A delegada aponta no relatório que a empresa acabou não sendo contratada pela Petrobras e que não foi identificada nenhuma doação oficial em favor do senador neste caso.

No entanto, afirma que foi possível comprovar que o peemedebista atuou junto à estatal para a contratação da empresa.

“Diante dos elementos de prova colhidos ao longo desta instrução criminal, foi possível confirmar a versão do colaborador Fernando Antônio Falcão Soares quanto à interferência do Senador Valddir Raupp de Matos e do ex-Senador Amir Francisco Lando para contratação da empresa Construtora Brasília Guaíba LTDA pela Petrobrás, através do acesso a Paulo Roberto Costa”, sustenta a delegada.

Apesar de considerar ‘moral e eticamente questionável o “lobby” praticado por um Senador da República para a contratação de uma empresa por uma estatal, e até mesmo classificável como crime de advocacia administrativa’, a delegada ressaltou que o crime está prescrito.

COM A PALAVRA, RAUPP

Procurada pela reportagem, a assessoria do senador Valdir Raupp afirmou que ele ‘sempre confia na Justiça e que recebe com respeito o relatório da PF’.

Mais conteúdo sobre:

Valdir Rauppoperação Lava Jato