“Rasguei tudo bem picotadinho”, diz ex-superintendente da Agricultura, alvo de prisão por destruição de provas

“Rasguei tudo bem picotadinho”, diz ex-superintendente da Agricultura, alvo de prisão por destruição de provas

Francisco Carlos de Assis, réu em esquemas de corrupção, foi pego em grampos da Polícia Federal na Operação Antídoto, segunda fase da Carne Fraca

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fausto Macedo

31 de maio de 2017 | 15h29

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura em Goiás, Francisco Carlos de Assis, alvo de prisão preventiva na Operação Antídoto, segunda fase da Carne Fraca, foi flagrado em grampos da Polícia Federal afirmando que ‘rasgou’ papéis e apagou conversas em aplicativos de celular. Na decisão em que deflagrou a operação, nesta quarta-feira, 31, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14.ª Vara Federal, ainda dá conta de que Francisco driblou conduções coercitivas e buscas e apreensões.

O ex-superintendente é réu na Operação Carne Fraca por supostamente ter pedido propinas a Roney Nogueira, executivo da BFR, para evitar a suspensão das atividades do frigorífico Mineiros, em Goiás, ligada à empresa do setor agropecuário.

“Em troca dos favores, Francisco pediu, em mais de uma oportunidade, que Roney providenciasse para ele junto a Ivan costela suína e peças variadas de frango, assunto este comentado em conversa com sua namorada Luciana, que aparece nos novos diálogos captados”, afirma o magistrado, que ainda dá conta de que o funcionário público recebia uma ‘renda extra de R$ 5 mil das empresas fiscalizadas por ele.

De acordo com o juiz federal Marcos Josegrei, consta do inquérito policial que o ex-superindentente informou endereço onde não residia mais às autoridades, quando já era réu da Carne Fraca. No dia 17 de março uma tentativa de condução coercitiva contra Francisco foi frustrada.

“Após, em 20 de marçoç de 2017, Francisco compareceu espontaneamente para prestar declarações
na Polícia Federal, fornecendo o mesmo endereço no qual não havia sido encontrado. Dois dias antes, em 18 de março de 2017, foram captados diálogos telefônicos com autorização judicial em que Francisco contou para sua autorização judicial em que Francisco contou para sua namorada/amante Luciana de Souza Moraes que picotou documentos e apagou conversas gravadas”, anota o magistrado.

Nos diálogos grampeados pela Polícia Federal, Francisco chega a dizer que estava com ‘dores nas mãos’ de tanto rasgar documentos, e afirma ainda que apagou conversas em aplicativos de celular.

‘LUCIANA: oi amor
FRANCISCO: oi amor. Eu acabei de rasgar as coisa
aqui. Rasguei tudo bem picotadinho.
LUCIANA: ah tá
FRANCISCO: nossa, eu tô com os dedo até doendo!
LUCIANA: ah…mas arrumou tudo né?
FRANCISCO: arrumei
(…)
FRANCISCO: (…) amor, eu achei aqui ó – treze do oito
de dois mil e quinze, que eu saí de lá. Não, oito do sete
de dois mil e quinze.
LUCIANA: ah tá. Eu falei…eu achava que era 2015, cê
lembra?
FRANCISCO: lembro
LUCIANA: cê falou não, é 2014. É 2015 né?
FRANCISCO: foi julho de 2015
(…)’

Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva no estado de Goiás, no âmbito da Operação Antídoto.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

Nota de esclarecimento

Brasília (31/05/2017) – Em relação à 2ª fase da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) esclarece que data de 08 de julho de 2015, a exoneração de Francisco Carlos de Assis.

Apesar de não integrar o quadro efetivo de funcionários, o ex-superintendente responde administrativamente pelo período em que exerceu cargo de confiança sendo, portanto, já investigado em Processo Administrativo Disciplinar (PAD), aberto em março deste ano pelo Mapa.

O ministério apoia e contribui com informações para investigações da Polícia Federal e adotou todas as medidas cabíveis dentro de sua competência, desde que foi deflagrada a operação.

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