Raquel pediu quebra de sigilo de filho de Perrella

Raquel pediu quebra de sigilo de filho de Perrella

Ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello rejeitou, mas aceitou abrir os dados fiscais e bancários da Tapera, da qual Gustavo Perrella é sócio

Luiz Vassallo

08 Dezembro 2017 | 05h00

FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

A procuradora-geral da República Raquel Dodge pediu a quebra de sigilo de Gustavo Perrella, sócio da empresa apontada por investigadores como a suposta destinatária de parte dos R$ 2 milhões entregues por delatores da JBS ao primo do senador Aécio Neves, Frederico Pacheco. A petição foi negada pelo ministro do Supremo Marco Aurélio Mello.

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O magistrado, por outro lado, decretou a quebra de sigilo fiscal e bancário do senador Aécio Neves (PSDB). Período alcançado pela medida vai de 1ª janeiro de 2014 até 18 de maio deste ano, ‘a fim de rastrear a origem e o destino dos recursos supostamente ilícitos. A cautelar abarca, inclusive, os meses que antecederam a eleição presidencial daquele ano em que o tucano foi derrotado por Dilma Roussef (PT).

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A quebra de sigilo, requerida pela procuradora-geral, Raquel Dodge, se estende a outros investigados na Operação Patmos – suposta propina de R$ 2 milhões da JBS para o senador. São alvos da cautelar a irmã e o primo do tucano, Andrea Neves e Frederico Pacheco, o ex-assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), Mendherson Souza, e as empresas Tapera e ENM Auditoria e Consultoria.

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Raquel ainda apontou a Marco Aurélio que existem ‘indicativos da lavagem dos valores percebidos por Aécio Neves, com a intermediação de Mendherson Souza Lima, procurador da empresa Tapera Participações, supostamente utilizada para a prática da conduta ilícita’.

A procuradora-geral ainda disse que ‘o senador José Perrella de Oliveira Costa é o administrador da citada pessoa jurídica, e o filho, Gustavo Henrique Perrela Amaral Costa, o sócio majoritário’.

De acordo com a PGR, ‘a Tapera Participações teria recebido depósito no valor de R$ 500 mil, oriundo da empresa ENM Auditoria e Consultoria, de titularidade do contador Euler Nogueira Mendes, afirmando haver indícios de envolvimento nos crimes’.

Ela ainda reforça que informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF mostram ‘operações suspeitas envolvendo a empresa Tapera, Mendherson Souza Lima, Frederico Pacheco Medeiros e Gustavo Henrique Perrela Amaral Costa’.

Marco Aurélio negou, no entanto, a quebra de sigilo do filho do senador Zeze Perrella (PMDB), Gustavo Henrique Perrela Amaral Costa e do contador Euler Nogueira Mendes.

De acordo com o ministro, quanto a Gustavo, ‘a circunstância de ser sócio majoritário de empresa supostamente utilizada para lavagem de dinheiro, por si só, não justifica a medida’. Marco Aurélio também se disse ‘satisfeito’ com a quebra de sigilo somente da empresa ENM Auditoria e Consultoria’, de propriedade de Euler.

Patmos. De acordo com as investigações da Operação Patmos, o senador teria acertado supostas propinas de R$ 2 milhões com os executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F.

Segundo o Ministério Público Federal, as primeiras tratativas teriam sido feitas pela irmã do tucano, Andréa Neves.

Em grampos Aécio é flagrado indicando aos empresários seu primo, Frederico Pacheco para buscar os valores e comenta: “Tem que ser um que a gente mata antes de fazer delação”.

Em ação controlada, a PF filmou o executivo Ricardo Saud entregando uma mala de dinheiro ao primo do senador, que teria repassado os valores a Mendherson Souza, ex-assessor de Perrella.

Dinheiro vivo foi encontrado na casa da sogra de Mendherson e dados do Coaf informam que a empresa Tapera, pertencente ao senador peemedebista, teria feito transações atípicas. Para os investigadores, o valor é relacionado ao pagamento de supostas propinas.

Segundo relatórios do Coaf, há também ‘a Tapera Participações teria recebido depósito no valor de R$ 500 mil, oriundo da empresa ENM Auditoria e Consultoria, de titularidade do contador Euler Nogueira Mendes, afirmando haver indícios de envolvimento nos crimes’.

A reportagem não localizou Euler, e tentou, sem sucesso, contato com a Tapera. O espaço está aberto para manifestação.

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