Raquel pede inquérito que cita Jucá no fórum da Lava Jato

Raquel pede inquérito que cita Jucá no fórum da Lava Jato

Investigadores cercam José Augusto dos Santos Ferreira, antigo aliado do ex-senador pelo MDB de Roraima, e movimentação de dinheiro de propina por meio de empresa

Pepita Ortega

15 de abril de 2019 | 13h53

Romero Jucá. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Raquel Dodge, procuradora-geral, quer o inquérito contra o ex-senador Romero Jucá (MDB) enviado para a 13.ª Vara Federal de Curitiba, sede da Lava Jato, e não arquivado. Na sexta-feira, 12, a procuradora respondeu ao despacho do ministro Edson Fachin, do Supremo, que pediu a manifestação da Procuradoria Geral da República sobre o destino do caso.

Alvo da 41.ª fase da Lava Jato, o ex-senador teria recebido propinas de empreiteiras por meio de contratos fictícios. No início deste ano Jucá perdeu o foro privilegiado já que não foi reeleito como senador.

Documento

O inquérito busca aprofundar o papel de José Augusto dos Santos Ferreira, suposto operador financeiro de Jucá. Para a PGR, a continuidade da apuração pode revelar rastros financeiros e condutas ilícitas.

Na manifestação, Raquel aponta detalhes do inquérito, entre eles o registro de 19 pagamentos ilícitos vinculados ao codinome ‘Caju’, em suposta referência à Jucá, nas planilhas do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – a máquina de propinas da empreiteira.

A apuração contra o ex-parlamentar teve origem nas informações da delação premiada de Henrique Serrano do Prado Valladares e José de Carvalho Filho, ex-executivos da Odebrecht.

Para Raquel, os próximos passos da investigação são compreender o fluxo financeiro da empresa de José Augusto Ferreira, a Itatiba – para esclarecer a movimentação de dinheiro de propina – entender o ‘modo de agir dos possíveis operadores’ e a interface com Romero Jucá.

As atividades da Ibatiba são descritas no documento como ‘intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral’.

Entre 2010 e 2012, a empresa de José Augusto Ferreira faturou R$ 31,3 milhões – boa parte de empreiteiras envolvidas no esquema pela Lava Jato, como Mendes Junior, Andrade Gutierrez e OAS.

Ao defender que o inquérito seja enviado para Curitiba, Raquel destaca que a Itatiba está entre as empresas investigadas pela 41.ª fase da Lava Jato, que teriam simulado a prestação de serviços para empreiteiras esquema de desvio e pagamento de propinas.

Defesa

A defesa de Romero Jucá pede o arquivamento do caso ou seu envio para a Justiça Federal do Distrito Federal.

Para os advogados do ex-senador, há excesso do prazo das investigações, que ocorrem há um ano e dez meses.

Segundo o documento, a defesa alega que não existem ‘provas independentes capazes de confirmar, em qualquer medida, a autoria e a materialidade dos delitos apurados’.

Eduardo Cunha

A PGR também se manifestou na sexta-feira, 12, contra um pedido do ex-deputado federal Eduardo Cunha para arquivar o mesmo inquérito envolvendo Jucá.

Cunha não é formalmente investigado no caso, mas aparece nos depoimentos dos colaboradores como articulador de uma propina de R$ 50 milhões, sendo ele destinatário de quase metade do valor, R$ 20 milhões.

O valor teria sido pago pela Odebrecht e pela Andrade Gutierrez, em troca do apoio político no Projeto do Rio Madeira, que abrangia as obras de construção das Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau.

No documento, a Procuradora afirma que ainda estão pendentes investigações para verificar os pagamentos realizados ao ex-deputado.

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