Raquel pede ao Supremo que diga não a habeas de ex-gerente da Petrobrás condenado na Lava Jato

Raquel pede ao Supremo que diga não a habeas de ex-gerente da Petrobrás condenado na Lava Jato

Procuradora-geral quer barrar pedido da defesa de Márcio de Almeida Ferreira, acusado por corrupção passiva, por duas vezes, que tenta reverter decisão da 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça

Luiz Vassallo

12 de abril de 2019 | 08h36

Raquel Dogde. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

A procuradora-geral, Raquel Dodge, enviou parecer ao Supremo nesta quinta, 11, opinando pela rejeição de um habeas corpus da defesa do ex-gerente da Petrobrás Márcio de Almeida Ferreira. Condenado na Lava Jato por corrupção passiva, por duas vezes, Márcio Ferreira tenta reverter uma decisão da 5;ª Turma do Superior Tribunal de Justiça que indeferiu pedido para apresentar as alegações finais somente após a apresentação das alegações finais de réus colaboradores.

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As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria.

A fase das alegações finais antecede o julgamento de mérito do processo. Os advogados, sob o argumento de ‘violação do direito à ampla defesa’, pretendem a concessão do habeas corpus para que seja determinada nova abertura de vista.

Ao rebater a argumentação do ex-funcionário da Petrobrás, a PGR afirma que o Código de Processo Penal não faz qualquer diferenciação entre réus colaboradores da Justiça e os não colaboradores. Ambos integram, em igualdade de condições, o polo passivo da relação processual, e se submetem aos mesmos prazos processuais, sustenta a Procuradoria.

Na avaliação de Raquel, a defesa busca, na verdade, anular a ação penal a partir da apresentação das alegações finais, para que o réu possa apresentar sua argumentação após tomar conhecimento das alegações dos corréus.

“A defesa, no claro intuito de reabrir a instrução processual pela via inadequada e causar tumulto processual, insiste na tese insubsistente de constrangimento ilegal por cerceamento de defesa, a qual vem sendo reiteradamente rechaçada pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público Federal”, ela afirma.
Raquel afastou ainda alegação de ocorrência de nulidade suscitada por Márcio de Almeida Ferreira. “O paciente afirmou genericamente ter havido prejuízo à defesa adequada pela fixação de prazo concomitante para o oferecimento das alegações finais, não demonstrando evidências concretas de qualquer prejuízo efetivo à sua atuação.”
“A jurisprudência dessa Egrégia Corte é enfática ao reconhecer que só pode ser decretada nulidade processual quando comprovado efetivo prejuízo à parte, o que não se verifica no presente caso”, assinala a procuradora.