Raquel pede à PF ‘prioridade’ nas investigações sobre mortos de Brumadinho e ameaças a Jean Wyllys

Raquel pede à PF ‘prioridade’ nas investigações sobre mortos de Brumadinho e ameaças a Jean Wyllys

Em reunião com a cúpula da Polícia Federal na sede da Procuradoria-Geral da República, nesta quarta, 30, chefe do Ministério Público Federal argumentou que caso do deputado 'é uma ameaça à democracia' e revelou preocupação com a apuração da responsabilidade pelo rompimento da barragem

Redação

31 de janeiro de 2019 | 12h07

A procuradora-geral Raquel Dodge pediu à cúpula da Polícia Federal ‘prioridade’ nas investigações sobre a lama que arrasou Brumadinho, em Minas, e já fez 99 mortos, e também sobre as ameaças ao deputado federal Jean Wyllys (Psol/RJ), que levaram o parlamentar a desistir de assumir o mandato para o qual foi eleito em outubro.

Nesta quarta, 30, Raquel recebeu em seu gabinete, na sede da Procuradoria-Geral da República, o número 1 da PF, delegado Maurício Leite Valeixo, e outros dirigentes de áreas estratégicas da corporação.

A procuradora disse que o caso Jean Wyllys ‘é muito grave’. “Representa uma ameaça à democracia”, disse Raquel. “É necessário que seja dada resposta rápida e firme de instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público.”

Jean Wyllys. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Ela revelou preocupação com a apuração da responsabilidade pelo rompimento da barragem de Brumadinho. Destacou que a investigação sobre o mar de lama deve ser tratada ‘com prioridade e de forma integrada por todos os órgãos do sistema de Justiça com foco, inclusive, na prevenção de outros desastres desta natureza’.

Nesta quinta, 31, Raquel voltou a comentar o desastre em Minas Gerais e afirmou que as mineradoras que trabalham no Brasil têm de estar preparadas para evitar os riscos que a atividade pode causar ao meio ambiente e à população. Segundo ela, as empresas devem agir rapidamente para indenizar e reparar os danos causados.

As informações sobre a reunião com o delegado Valeixo foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria. Durante o encontro, que durou pouco mais de uma hora, foram tratadas questões como a importância da atuação integrada entre o Ministério Público Federal e a PF e as prioridades em investigações em curso tanto no Supremo Tribunal Federal quanto no Superior Tribunal de Justiça – inquéritos que envolvem deputados, senadores, governadores e outros políticos que detêm foto privilegiado no âmbito das Cortes superiores.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Foto: Marcelo Oliveira / Ascom MPF-SP

A procuradora-geral ressaltou ‘a importância de as investigações terem como foco a resolutividade para maior efetividade ao combate à corrupção’. Ela defendeu o caminho da integração entre as equipes dos dois órgãos.

Participaram da reunião os delegados Igor Romário de Paula, novo chefe da PF da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado; Cláudio Ferreira Gomes, diretor de Inteligência da Corporação, e Omar Gabriel Haj Mussi, corregedor-geral da PF.

Raquel estava acompanhada do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, da secretária da Função Penal Originária no STF, Raquel Branquinho, e do coordenador do Grupo da Lava Jato na PGR, José Alfredo de Paula Silva.

Ao final do encontro, ficou acertada a realização de ‘reuniões operacionais’ entre as equipes do Ministério Público Federal e da PF.

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