Raquel endossa pedido da PF para ouvir mais seis testemunhas em inquérito que investiga Temer

Raquel endossa pedido da PF para ouvir mais seis testemunhas em inquérito que investiga Temer

Ao pedir prorrogação por 60 dias da apuração que mira o presidente e dois ministros, procuradora concordou com solicitação dos investigadores para ampliar o rol de depoimentos

Rafael Moraes Moura/ BRASÍLIA

15 Junho 2018 | 21h46

Raquel Dodge. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Ao pedir a prorrogação por 60 dias das investigações no âmbito de um inquérito que mira o presidente Michel Temer, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, concordou com o pedido da Polícia Federal de ouvir mais seis testemunhas, entre elas o empresário Marcelo Odebrecht.

Além de Temer, o inquérito, instaurado no âmbito da delação da Odebrecht, investiga os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha (MDB), e de Minas e Energia, Moreira Franco (MDB).

A investigação foi aberta para apurar relatos de delatores da empreiteira sobre suposto pagamento de R$ 10 milhões em doações ilícitas para campanhas do MDB em troca de favorecimento da empresa. O acordo, segundo a delação, foi firmado durante reunião no Palácio do Jaburu em 2014, quando Temer era vice-presidente.

Ao solicitar mais tempo para a conclusão das investigações, a Polícia Federal apontou a necessidade de novas diligências, entre elas os depoimentos das seguintes pessoas: os delatores da Odebrecht Fernando Migliaccio (que chefiou o Setor de Operações Estruturadas, conhecido como o “departamento de propinas da empreiteira) e Marcelo Odebrecht; o empresário Ibanez Filter (ligado a Padilha); o doleiro Vinícius Claret; Cláudio Barbosa; e o publicitário José Eduardo Cavalcanti de Mendonça, mais conhecido como Duda Mendonça.

A PF também apontou como ‘pendência’ a entrega dos aparelhos celulares utilizados à época dos fatos investigados pelos delatores Cláudio Melo Filho e José de Carvalho Filho.

“Pelos fundamentos expostos, a Procuradora-Geral da República requer a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito epigrafado, por mais 60 (sessenta) dias, nos termos do art. 230, § 1 0, parte final, do Regimento Interno do STF, considerada a existência de diligências pendentes e necessárias ao deslinde das investigações, sem prejuízos de outras reputadas úteis”, escreveu Raquel Dodge.

Caberá ao relator do caso, ministro Edson Fachin, decidir pela prorrogação do inquérito.