Raquel e procuradora da Espanha querem ‘acelerar’ 29 cooperações

Raquel e procuradora da Espanha querem ‘acelerar’ 29 cooperações

Depois de passar por Portugal, procuradora-geral da República discute com sua colega María José Segarra casos Roberto Teixeira, Tacla Duran e outras investigações; atualmente, há 18 pedidos de cooperação do Ministério Público espanhol à PGR, e 11 solicitações brasileiras a Madri

Luiz Vassallo

25 de setembro de 2018 | 08h30

Raquel Dodge. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deu continuidade, nesta segunda, 24, à missão iniciada na semana passada para fortalecer a cooperação jurídica e a troca de informação com Portugal e Espanha. Em Madri, Raquel se reuniu com a chefe do Ministério Público espanhol, María José Segarra, e procuradores que atuam na área criminal, ambiental e internacional. “Tomamos a iniciativa de pedir esse encontro com o objetivo de acelerar a cooperação com a Espanha no enfrentamento a crimes como a corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de drogas e de mulheres”, afirmou Raquel, segundo divulgação da Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria.

A secretária de Cooperação Internacional da PGR, Cristina Romanó, participou da conversa.

Durante a reunião, informou a Secretaria de Comunicação, foram discutidos todos os casos em andamento que envolvem a cooperação entre Brasil e Espanha.

Atualmente, há 18 pedidos de cooperação realizados pelo Ministério Público espanhol à PGR, e 11 solicitações brasileiras à Espanha.

No encontro com a PGR, os procuradores espanhóis reforçaram pedido de informações sobre investigações envolvendo o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, atualmente sob investigação na unidade do Ministério Público Federal no Rio.

O caso é considerado prioritário pelo Ministério Público espanhol por causa do prazo prescricional.

A PGR informou que a disposição é no sentido de ‘agilizar a cooperação’.

Por parte do Ministério Público Federal, Raquel pediu ‘celeridade’ na investigação sobre o advogado Rodrigo Tacla Duran, alvo da Lava Jato. Como ele tem dupla cidadania, o governo espanhol negou a extradição. Nesse caso, o pedido da PGR é para sejam analisados os documentos enviados em 31 de julho, quando foi proposta a transferência de jurisdição, para que Tacla Duran seja processado pela Justiça espanhola.

Raquel enfatizou a importância de avançar nos acordos para a formação de Equipes Conjuntas de Investigação (ECIs), no âmbito do caso Defex, no qual se apuram crimes de corrupção em transações comerciais internacionais e lavagem de dinheiro com ramificações principalmente no Brasil e na Espanha.

O procedimento é apontado como alternativa para o enfrentamento ao tráfico de mulheres, que já é objeto de ações penais em curso no Brasil.

A PGR aproveitou a reunião bilateral para buscar apoio na difusão e internacionalização do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Pessoas desaparecidas (Sinalid).

Trata-se de uma ferramenta eletrônica de cruzamento de base de dados para enfrentar o desaparecimento de pessoas.

Raquel apresentou à procuradora-geral espanhola a carta de adesão ao Instituto Global do Ministério Público para o Ambiente. A iniciativa recebeu sinalização positiva por parte do MP espanhol.