Raquel diz que vê com ‘preocupação a atuação de qualquer governo que visa proteger setores’

Raquel diz que vê com ‘preocupação a atuação de qualquer governo que visa proteger setores’

Procuradora-geral fez o balanço de sua gestão à frente da instituição, entre 2017 e 2019, período em que cumpriu média de uma denúncia criminal por semana, totalizando 224 acusados perante tribunais superiores

Pedro Prata e Luiz Vassallo/SÃO PAULO e Breno Pires/BRASÍLIA

17 de setembro de 2019 | 19h06

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que se despede do cargo após 2 anos. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se despediu do cargo nesta terça, 17, ostentando média de uma denúncia criminal apresentada por semana, e um total de 224 acusados.

“Eu saio do cargo com imensa esperança de que dias melhores virão. Que temos uma população mais educada e informada pelo trabalho da imprensa. E vejo com grande satisfação que as instituições estão fortes e respondendo aos anseios da população. Não com a celeridade que almejamos, mas com competência.”

Ela deixa o mandato após dois anos de atuação. Raquel assumiu o cargo em 2017, indicada pelo então presidente Michel Temer, que chegou a ser denunciado por ela. “Considero que o mandato de dois anos é muito exaustivo, intenso. Fizemos um trabalho no limite de nossas forças e capacidades.”

Em seu último dia como procuradora-geral, Raquel denunciou o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Domingos Brazão por supostamente atrapalhar investigação no caso Marielle, a ex-vereadora assassinada em 2018 com seu motorista.

“O modo como foram engendrados depoimentos que conduziram a Polícia Civil, a um certo tempo, a indicar que os autores eram pessoas que não tinham participado da atuação. O inquérito inicial apontou para receptores que não eram os verdadeiros. Estou pedindo o deslocamento de competência para que haja uma investigação para se chegar aos mandantes.”

Raquel enalteceu o fato de ter sido a primeira mulher a chegar ao cargo de PGR. “Acho que abri espaço para outras mulheres também exercerem a função e para meninas ocuparem grandes cargos públicos.”

Em seu último dia no topo da instituição, ela disse que ‘a democracia é algo difícil de ser construído, mas não é difícil de perdê-la’. “Meu papel continuará sendo lutar pela democracia, trabalhamos muito para mostrar o Ministério Público Federal como guardião da Constituição.”

Raquel rebateu as críticas do ministro do Supremo, Edson Fachin, segundo o qual ela não teria dado seguimento a casos da Lava Jato por até dois anos.

A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba foi fortalecida, disse Raquel.

“Também fortaleci as forças-tarefa do Rio e de São Paulo e fiz de tudo para que elas atuassem com toda a estrutura necessária. Por isso, tenho muita consciência de que não segurei nenhum caso. Posso dizer com muita tranquilidade que o número de denúncias apresentadas, 64, supera em muito o número que muitos dos procuradores apresentaram em quatro anos.”

Raquel disse que vê ‘com muita preocupação sempre a atuação de qualquer governo que visa proteger alguns setores em detrimento de outros’. “O governante deve desenhar políticas públicas inclusivas para gerar uma sociedade plural.”

“Eu acho que toda semente plantada, vai germinar. O Brasil, hoje, é solo fértil para muitas coisas.”

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