Raquel diz que ‘não tem prazo’ para concluir análise do inquérito dos Portos

Raquel diz que ‘não tem prazo’ para concluir análise do inquérito dos Portos

Procuradora-geral da República argumenta que 'é muito extenso' inquérito da Polícia Federal que indiciou presidente Temer por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa

Rafael Moraes Moura e Teo Cury/ BRASÍLIA

14 Novembro 2018 | 15h38

Raquel Dodge. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse nesta quarta-feira, 14, que não tem prazo para concluir a análise do inquérito dos Portos e decidir se apresenta ou não uma denúncia contra o presidente Michel Temer. O inquérito apura se houve favorecimento a empresas do setor portuário na edição de um decreto de 2017.

A Polícia Federal indiciou Temer pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa na investigação. Ao todo, 11 pessoas foram indiciadas pela PF.

“Desde que eu recebi (o inquérito), tá em análise. Não tem prazo para eu concluir a análise, não. O inquérito é muito extenso, estou examinando”, disse Raquel Dodge a jornalistas, ao chegar para acompanhar a sessão plenária do Supremo. O inquérito chegou à PGR em 16 de outubro.

Além de Temer, foram indiciados pela PF Maristela de Toledo, filha do presidente, o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR), o coronel reformado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho (amigo do presidente conhecido como coronel Lima) e arquiteta Maria Rita Fratezi (mulher do coronel), além de executivos da Rodrimar e do grupo Libra no âmbito das investigações.

No dia 23 de outubro, Barroso negou um pedido da defesa do presidente para anular o indiciamento de Temer. Para Barroso, não há fundamento válido para vedar a possibilidade de a PF indiciar autoridades com prerrogativa de foro.

O presidente Michel Temer já foi alvo de duas denúncias apresentadas pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no âmbito da delação do grupo J&F. Essas denúncias foram barradas pela Câmara dos Deputados, ficando suspensas durante o período em que Temer ocupar o Palácio do Planalto.