Raquel diz a procurador italiano antimáfia que extradição do ‘Fantasma da Calábria’ é sua prioridade

Raquel diz a procurador italiano antimáfia que extradição do ‘Fantasma da Calábria’ é sua prioridade

Procuradora-geral e Federico Cafiero se reuniram nesta quarta, 10, para tratar da cooperação entre os dois países e abordam detalhes do processo de extradição de Nicola Assisi, da organização Ndrangheta, preso com o filho Patrick, pela Polícia Federal, na segunda, 8, em Praia Grande (SP)

Redação

10 de julho de 2019 | 20h55

Da esq. para a dir.: Federico Cafiero e Raquel Dodge apresentam memorandos de entendimento assinados. Foto: Leonardo Prado/Secom/PGR

A procuradora-geral, Raquel Dodge, se reuniu nesta quarta, 10, com membros de uma delegação italiana para tratar da cooperação entre Brasil e Itália. Entre os procedimentos discutidos durante o encontro, os participantes abordaram o processo de extradição de Nicola Assisi, o ‘Fantasma da Calábria’, da organização Ndrangheta, e seu filho, Patrick Assisi, presos na segunda, 8, pela Polícia Federal em Praia Grande (SP). Eles eram procurados por tráfico internacional e suspeitos de integrarem a máfia italiana.

Raquel informou ao procurador Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália, Federico Cafiero, que já se manifestou quanto ao pedido de prisão para extradição, formulado pelas autoridades italianas, contra os suspeitos.

A solicitação para o compartilhamento de provas feita pela Itália prevê a remessa de registros de chamadas telefônicas envolvendo integrantes da organização criminosa Ndrangheta.

Durante a reunião, a PGR destacou que as investigações, fruto de pedido de cooperação internacional, estão praticamente finalizadas, e que o material coletado será encaminhado ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI/MJ).

Há também a possibilidade de formação de Equipe Conjunta de Investigação entre os Ministérios Públicos do Brasil e da Itália para apurar os delitos cometidos por essa organização criminosa nos dois países.

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da PGR.

Na avaliação da PGR, a cooperação entre Brasil e Itália tem se tornado cada vez mais célere e eficaz, destacando que somente no âmbito da Operação Lava Jato, de cinco pedidos de cooperação feitos pelo Brasil, quatro já foram concluídos e apenas um ainda está em execução.

A otimização da tramitação dos processos também foi aprimorada em razão de mudança da metodologia nos casos de pedidos de extradição, iniciados em 2017, com a centralização do acompanhamento prioritário dos procedimentos pela Secretaria de Cooperação Internacional (SCI/MPF) perante o Supremo Tribunal Federal.

Ao todo, a PGR atuou em nove procedimentos de extradição formulados pelas autoridades italianas.

Memorando de entendimento – Durante a visita, também foi assinado novo memorando de entendimento para a cooperação entre o Ministério Público Federal e o Departamento Nacional Antimáfia da Itália (Dnai), órgão que coordena as investigações de violações cometidas pelo crime organizado e tratamento de processos em matéria de terrorismo.

O acordo foi assinado pela primeira vez em 2005, para aprimorar a cooperação entre os países no combate ao crime organizado. O novo documento traz atualizações e prevê o intercâmbio de informações sobre o crime organizado envolvendo os dois países, independentemente de requerimento prévio, tornando o fluxo dos procedimentos ainda mais ágeis.

Está definido que em duas semanas os Ministérios Públicos dos dois países indicarão seus pontos de contato e, a partir dai, verificarão casos em comum para que os procuradores da República responsáveis troquem informações diretamente.

O procurador Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália celebrou o convênio ao chamar atenção para a digitalização dos crimes transnacionais que desafiam as autoridades policiais e o Judiciário.

Para ele, mais do que nunca, a cooperação internacional ágil e direta representa uma aliada fundamental no enfrentamento dos delitos transfronteiriços. Frederico Cafiero também lembrou que os dois países têm agendas similares no combate ao crime. “Este é um passo importantíssimo em uma agenda que une o Brasil e a Itália: o enfrentamento da corrupção”, afirmou.
Além do procurador Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália, participaram da reunião o juiz Giovanni Tartaglia, o ministro Conselheiro da Embaixada da Itália no Brasil, Fernando Pallini di San Lorenzo, o adido policial da Embaixada da Itália, Coronel Fabrizio di Simio, o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, o secretário adjunto de Cooperação Internacional do MPF, Carlos Bruno Ferreira e integrantes do grupo de trabalho da Lava Jato.

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