Raquel denuncia Lúcio ‘Bitelo’ por R$ 1,5 mi da Odebrecht

Raquel denuncia Lúcio ‘Bitelo’ por R$ 1,5 mi da Odebrecht

Em cota, documento complementar à denúncia, a procuradora-geral requer que o caso seja encaminhado à Justiça Federal de Brasília, em razão da perda de foro do deputado federal Lúcio Vieira Lima, que não se reelegeu nas eleições de 2018; apelido consta em planilha do departamento de propinas da construtora

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

28 de janeiro de 2019 | 15h12

Lucio Vieira Lima. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou, nesta segunda-feira, 28, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (MDB), por suposto pagamento de propinas de R$ 1,5 milhão da Odebrecht, em 2013, para atuar política e partidariamente na tramitação sem “percalços, atrasos e alterações” de uma medida provisória que beneficiou a Braskem, empresa do ramo petroquímico da empreiteira. A investigação é decorrente da delação de executivos da empreiteira, que também são alvo da denúncia. Nas planilhas do departamento de propinas da construtora, Lúcio é associado ao codinome ‘bitelo’. Em cota, documento complementar à denúncia, a procuradora-geral requer que o caso seja encaminhado à Justiça Federal de Brasília, em razão da perda de foro do emedebista, que não se reelegeu nas eleições de 2018.

A denúncia contra Lúcio Vieira Lima é fundamentada nas delações premiadas de executivos da empreiteira e planilhas entregues pelos próprios colaboradores. Raquel Dodge também denunciou Marcelo Odebrecht, Cláudio Melo Filho, José de Carvalho Filho e Carlos José Fadigas de Souza Filho por corrupção ativa, mas observou que no caso deles “deverão ser observados os termos de seu acordo de colaboração premiada”.

Reprodução de trecho da denúncia.

“As planilhas com os pagamentos, em que se pede produzidas unilateralmente pela Odebrecht, foram criadas e lançadas à época dos fatos – portanto, espontaneamente -, realidade que confere credibilidade como prova”, afirmou Raquel Dodge.

Documento

De acordo com a procuradora-geral da República, a entrega da propina ao deputado federal foi contrapartida para sua “atuação política e parlamentar” que “contribuiu para a aprovação, nos termos pretendidos pelos corruptores”, da medida provisória 613/2013, “haja vista sua condição de presidente da comissão mista do Congresso, responsável pela conversão dela em lei”.

“Um exemplo perfeito da denominada corrupção imprópria”, frisou a procuradora-geral da República.

A medida provisória, que foi convertida na lei 12.859/2013, disciplinou o regime especial da indústria química e levou à desoneração fiscal para a aquisição de matérias-primas, beneficiando diretamente a Braskem, empresa do ramo petroquímico do grupo Odebrecht, observou Raquel Dodge.

“Em termos práticos e gerais, a renúncia fiscal foi de R$ 9,54 bilhões, só no período de 2013 a 2015. Bem por isso, os dirigentes da Odebrecht não mediram esforços criminosos para a obtenção deste benefício estatal”, ressaltou a procuradora-geral da República.

EUFEMISMO. Segundo Raquel Dodge, em outubro de 2013, Vieira Lima recebeu da empreiteira R$ 1,5 milhão. O parlamentar teria solicitado em reunião com executivos da empreiteira “suporte financeiro do grupo para campanha eleitoral”.

“Na verdade, ‘suporte financeiro para campanha eleitoral’ não passava de mero eufemismo para não se pronunciar a palavra ‘propina’, como revelou a Operação Lava Jato. Aliás, 2013 nem sequer foi ano eleitoral e a arrecadação de recursos, nas eleições do ano seguinte, só foi autorizada pela lei”, a partir de 15 de maio de 2014. Logo, aquele R$ 1,5 milhão não se tratou de contribuição para campanha”, frisou Raquel Dodge.

Em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, o ex-secretário parlamentar Job Ribeiro Brandão disse aos investigadores que foi buscar dinheiro na sede da Odebrecht na Bahia. “cinco ou seis vezes”, a pedido dos irmãos Lúcio Vieira Lima e Geddel Vieira Lima (MDB-BA).  Para Raquel Dodge, “Job é pessoa simples, humilde e verdadeira” e fez “revelações espontâneas” à época às autoridades.

COM A PALAVRA, LÚCIO VIEIRA LIMA

O Broadcast Político procurou o deputado Lúcio Vieira Lima, o seu gabinete e a equipe de defesa do parlamentar, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

“A Odebrecht tem colaborado de forma eficaz com as autoridades em busca do pleno esclarecimento dos fatos narrados pela empresa e seus ex-executivos. A Odebrecht já usa as mais recomendadas normas de conformidade em seus processos internos e segue comprometida com uma atuação ética, íntegra e transparente.”

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