Raquel defende enfrentamento à ‘criminalidade organizacional’

Raquel defende enfrentamento à ‘criminalidade organizacional’

Procuradora-geral alerta para grupos que mantêm capital próprio superior ao de vários países, 'com faturamento que supera o PIB de muitas dessas nações'

Redação

04 de setembro de 2019 | 05h00

Foto: Leonardo Prado/Secom/PGR

A procuradora-geral, Raquel Dodge, defendeu nesta terça, 3, o enfrentamento à ‘criminalidade organizacional’. Ao pregar o combate aos grupos empresariais que facilitam a corrupção e a lavagem de dinheiro entre nações, ela enfatizou. “O Brasil quer ser um país mais seguro, mais honesto e menos violento. E temos a noção clara que o grau de insegurança, desonestidade e de violência no Brasil deve-se muito à atuação em forma de crime organizado, e conta também com a atuação de grandes empresas que operam em mais de um país, não só na nossa região mas em vários continentes.”

Raquel participou da II Reunião da Rede de Agentes de Combate à Corrupção Transnacional da América Latina e Caribe (LAC LEN), no Itamaraty.

O encontro marcou o início da Semana de Combate à Corrupção Transnacional, promovida pela Controladoria-Geral da União, Advocacia-Geral da União e Ministério Público Federal.

O evento pretende debater a responsabilização de empresas, ferramentas de enfrentamento do suborno entre os países, boas práticas anticorrupção, entre outros temas correlatos.

Na avaliação de Raquel, a iniciativa é importante para ‘fomentar a aproximação entre instituições internacionais e contribuir para as legislações domésticas se tornarem mais semelhantes, facilitando atos de extradição, de colaboração premiada e de acordos de leniência’.

A procuradora-geral considera necessário ‘o enfoque da rede ao discutir uma temática que envolve forças-tarefas de todas as instituições legais dos países signatários’.

Para Raquel, o fato de ‘muitas dessas empresas terem capital próprio superior ao de vários países da região, com faturamento que supera o PIB de muitas dessas nações, dá a dimensão do potencial de atuação dessas organizações, causando severos danos ao patrimônio público’.

Ela cobrou, ainda, o comprometimento do Brasil no aprimoramento de dispositivos legais que auxiliem no combate à corrupção, além do crescimento no âmbito da cooperação internacional, considerada fundamental para a troca de informações e uma forma de tornar mais efetiva a luta contra a criminalidade como um todo.

“Essa aproximação entre instituições é muito necessária do ponto de vista do estabelecimento de Equipes Conjuntas de Investigação, para que essa cooperação se estabeleça de forma mais célere e eficiente”, afirmou a chefe do Ministério Público Federal.

Além de Raquel, participaram da mesa de abertura da reunião o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o ministro da CGU, Wagner Rosário, o advogado-geral da União, André Luiz de Almeida Mendonça, o analista da Divisão Anticorrupção da OCDE, Apostolos Zampounidis, e a presidente da LAC LEN, Maria Laura Roteta.

Também participaram do evento a secretária de Cooperação Internacional da PGR, Cristina Romanó, e o procurador da República Paulo Galvão.

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