Randolfe envia à PGR representação contra Bolsonaro por agressões de escolta a jornalistas em Roma

Randolfe envia à PGR representação contra Bolsonaro por agressões de escolta a jornalistas em Roma

Pepita Ortega

01 de novembro de 2021 | 19h54

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou à Procuradoria-Geral da República nesta segunda-feira, 1º, uma representação solicitando a abertura de inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro em razão do comportamento do chefe do Executivo em relação às agressões relatadas por jornalistas brasileiros que o acompanhavam em Roma, durante a Cúpula de Líderes do G-20. O parlamentar ainda requer o ajuizamento de ação civil pública por dano moral coletivo e ameaça à liberdade de imprensa, com aplicação de multa.

Na representação, Randolfe diz que o presidente, em vez de ‘proteger e estimular o trabalho jornalistico, prefere dele escarnecer ou agredir os seus profissionais, visando cercear a sua atuação’.

“Por meio de ameaças e da violência, busca-se intimar o legítimo e necessário controle social e os calar, ou seja, verdadeiramente constranger ilegalmente o repórter a exercer sua profissão. Não pode nem deve ser normalizada uma ameaça e uma agressão contra qualquer profissional da imprensa, ainda mais partindo do próprio presidente da República”, afirma o parlamentar na representação.

O documento ainda destaca que Bolsonaro, em diversas ocasiões antes e depois de assumir o cargo, atacou a imprensa sempre que ‘lhe faltavam palavras ou argumentos para responder aos questionamentos democráticos de repórteres’.

De acordo com os relatos, as agressões aos jornalistas se deram antes e durante uma caminhada improvisada de Bolsonaro com apoiadores que se reuniram frente à embaixada do Brasil. No Twitter, o jornalista Jamil Chade compartilhou uma imagem de uma denúncia registrada em Roma pelas agressões. “Em 21 anos como correspondente, foram 70 países e vários presidentes. Mas violência em cúpula foi a 1a vez. Silêncio revelador por parte do Itamaraty e Presidência”, afirmou.

As primeiras agressões se deram depois que Bolsonaro acenou, do alto de uma sacada da embaixada, para os simpatizantes que carregavam cartazes de apoio ao governo, e em seguida desceu para falar com o grupo. Durante a espera pelo presidente, uma jornalista da Folha de S.Paulo foi empurrada por seguranças e uma produtora da GloboNews foi hostilizada pelos manifestantes.

Ao indicar que faria uma caminhada pelo bairro, Bolsonaro foi seguido por equipes de reportagem. Neste momento, jornalistas passaram a ser empurrados pelos seguranças e houve agressões. Um profissional da TV Globo disse ter recebido um soco no estômago. Os veículos que presenciaram o momento foram impedidos de gravar. O celular de um jornalista do Uol foi jogado na via. Repórteres do jornal O Globo e da BBC Brasil relataram agressões verbais.

Mais cedo, a Ordem dos Advogados do Brasil manifestou repúdio às agressões, classificando o ocorrido como ‘lamentável’ e indicando ainda que a situação reflete ‘uma postura frequente de desrespeito ao trabalho dos profissionais de imprensa’.

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