Randolfe diz a Celso de Mello que ‘não há defesa’ para manter vídeo de reunião sob sigilo

Randolfe diz a Celso de Mello que ‘não há defesa’ para manter vídeo de reunião sob sigilo

Senador da Rede apresentou pedido ao Supremo pela liberação da gravação para que 'a sociedade possa livremente deliberar sobre os fatos ali expostos'

Paulo Roberto Netto

12 de maio de 2020 | 18h00

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou pedido ao ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal e relator do inquérito sobre interferências na Polícia Federal, pela liberação da íntegra da reunião ministerial do dia 22 de abril, citada como Moro como a ocasião em que o presidente Jair Bolsonaro teria ameaçado trocar o comando da PF no Rio.

A gravação foi exibida nesta terça para advogados de Moro, procuradores e à Advocacia-Geral da União, mas o vídeo permanece em sigilo. Fontes informaram ao Estadão que durante o encontro, Bolsonaro justificou a necessidade de trocar o superintendente da PF no Rio à defesa de seus próprios filhos, alegando que sua família estaria sendo ‘perseguida’. O vídeo foi dito como ‘devastador’ para a defesa do presidente.

Documento

Randolfe alegou a Celso de Mello que o caso se trata de ‘investigação de maior relevo para a República’ e que a ‘rápida solução da controvérsia’ envolvendo as declarações de Moro contra o presidente é ‘imperiosa para a pacificação social’.

“Não há qualquer defesa de intimidade ou interesse social que justifiquem a manutenção do segredo em relação a elementos probatórios relacionados à investigação de crimes contra a Administração Pública”, afirmou o senador. “Dessa forma, é imperiosa a divulgação na íntegra do citado vídeo o mais rápido possível, a fim de que a sociedade possa livremente deliberar sobre os fatos ali expostos”.

O senador Randolfe Rodrigues, da Rede. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Segundo relatos feitos ao Estadão, além das declarações de Bolsonaro, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, aparece no vídeo dizendo que ‘todos tinham que ir para a cadeia, começando pelos ministros do STF’. Ele é alvo de inquérito na Corte, que apura se cometeu crime de racismo ao fazer declarações contra a China nas redes sociais. Pelas redes sociais, Weintraub afirmou que se trata de uma ‘mentira’.

A ministra Damares Alves também aparece defendendo a prisão de governadores e prefeitos. Por nota, a assessoria do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos afirmou que a declaração se insere em contexto de desvios de insumos durante a pandemia e violação de direitos.

Na noite de terça, o ministro Celso de Mello ordenou a degravação (transcrição) do conteúdo da reunião, que deverá ser encaminhado para seu chefe de gabinete, Miguel Piazzi. A determinação se deve ao fato do ministro estar trabalhando de casa, em São Paulo, devido a pandemia do novo coronavírus. O decano tem 74 anos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.