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Ramos recua, pede retificações e diz que 'não se lembra' de Bolsonaro falar de trocar o chefe da PF no Rio

Após finalizar suas declarações à Polícia Federal e ler o termo do depoimento prestado no Palácio do Planalto na tarde desta terça, 12, o ministro-chefe da Secretaria de Governo pediu para fazer duas retificações 

Foto do author Pepita Ortega
Foto do author Fausto Macedo
Por Pepita Ortega e Fausto Macedo
Atualização:

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Após finalizar suas declarações à Polícia Federal e ler o termo do depoimento prestado no Palácio do Planalto na tarde desta terça, 12, o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) pediu para fazer duas retificações quanto a suas afirmações sobre o suposto momento em que o presidente teria dito que 'se não pudesse trocar o Diretor Geral da Polícia Federal ou o Superintendente da corporação no Rio de Janeiro, trocaria o próprio ministro'. A defesa do ex-ministro Sérgio Moro se opôs à retificação alegando que a modificação configuraria uma alteração material, mas o pedido ficou registrado no documento.

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Segundo o termo de depoimento, ao longo da oitiva Ramos afirmou: "que não foi mencionado pelo Presidente que se não pudesse trocar o Diretor Geral da Policia Federal ou o Superintendente da Policia Federal no Estado do Rio de Janeiro, ele trocaria o próprio Ministro" e "que na presença do depoente (Ramos) isso não foi dito na reunião do dia 22 de abril ou em qualquer outro momento".

Após a leitura documento, Ramos pediu para que as frases constassem como: "que não se recorda se foi mencionado pelo Presidente que se não pudesse trocar o Diretor Geral da Polícia Federal ou o Superintendente da Policia Federal no Estado do Rio de Janeiro. ele trocaria o próprio Ministro" e "que não se lembra se na presença do depoente isso foi dito na reunião do dia 22 de abril ou em qualquer".

 Foto: Estadão
 Foto: Estadão

Ao longo da oitiva, Ramos indicou que o presidente Jair Bolsonaro queria 'interferir em todos os ministérios' para 'melhorar a qualidade de relatórios de inteligência'. Segundo o general, os documentos foram alvo de críticas declaradas 'de forma contundente' durante a reunião ministerial do dia 22 de abril.

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Na mesma ocasião, o presidente disse que, a 'título de exemplo', se ele não estivesse satisfeito com sua segurança pessoal realizada no Rio de Janeiro' poderia trocar 'até o ministro' responsável, afirmou Ramos.

O ministro também afirmou à PF que o presidente 'nominou os órgãos da ABIN, Forças Armadas, Polícia Federal e Polícia Militar dos Estados' na reunião do dia 22 de abril.

No entanto, após a exibição do vídeo da reunião ministerial do dia 22, Bolsonaro afirmou que a gravação não contém as as palavras 'Polícia Federal', 'investigação' nem 'superintendência'. "Vocês vão se surpreender quando esse vídeo aparecer", disse o presidente ontem, na rampa do Palácio do Planalto. Na manhã desta quarta, 13, o presidente reforçou que não menciona a Polícia Federal no vídeo e disse que Ramos se 'equivocou'.

A referência à PF durante a reunião também foi comentada pelo ministro Augusto Heleno (GSI) que disse em depoimento que o presidente 'cobrou de forma generalizada todos os Ministros na área de inteligência'.

De acordo com o general, o presidente reclamou 'da escassez de informações de inteligência que lhe eram repassadas para subsidiar suas decisões, fazendo citações especificas sobre sua segurança pessoal, sobre a ABIN, sobre a PF e sobre o Ministério da Defesa'.

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