Radiopatrulha vasculhou casa da mãe de Beto Richa atrás de ‘malas e bolsas’

Radiopatrulha vasculhou casa da mãe de Beto Richa atrás de ‘malas e bolsas’

Ministério Público do Paraná relatou à Justiça que havia recebido informação que os irmãos Richa 'foram vistos entrando na residência da sua genitora, sendo que na saída da residência nada portavam'

Julia Affonso e Ricardo Brandt

18 de setembro de 2018 | 16h06

 

Beto Richa é candidato ao Senado pelo PSDB. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Beto Richa é candidato ao Senado pelo PSDB. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

No dia em que foi preso, o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), candidato ao Senado nas eleições 2018, viu agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público do Paraná, fazerem buscas na casa de sua mãe, Arlete Vilela Richa. Os investigadores foram ao local atrás da informação sobre ‘malas e bolsas’ com ‘grandes volumes’.

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No pedido de prisão do tucano, o Gaeco relatou à Justiça que havia sido informado sobre ‘indícios de que Beto Richa e Pepe Richa (irmão do ex-governador) podem estar utilizando a residência de sua genitora, sra. Arlete Vilela Richa, para esconder valores ou provas que os incriminem’.

“A informação que aportou no Gaeco dá conta que em meados de julho deste ano os irmãos Richa foram vistos entrando na residência da sua genitora com ‘grandes volumes em malas e bolsas’, acompanhados de terceiras pessoas, sendo que na saída da residência nada portavam”, narrou o Gaeco à Justiça.

Veja o pronunciamento de Beto Richa

Em declaração postada em seu Facebook nesta segunda, 17, Beto Richa citou a ida dos investigadores à casa de sua mãe. “Invadiram a minha casa, aterrorizaram a minha mulher, invadiram a casa da minha mãe, de 78 anos”, afirmou. “Minha mãe, fique certa. Eles ainda vão lhe pedir desculpas, porque minha luta os levará a isso.”

Beto Richa foi preso em 11 de setembro, por ordem do juiz Fernando Fischer, da 13.ª Vara Criminal de Curitiba, que acolheu ofensiva do Gaeco. O ex-governador ganhou liberdade por ordem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, na sexta, 14.

O tucano, sua mulher, Fernanda, seu irmão Pepe Richa e seu ex-chefe de gabinete Deonilson Roldo são alvo da Operação Radiopatrulha. Richa também é investigado na Operação Lava Jato, que fez buscas em sua residência no mesmo dia da prisão.

A Lava Jato suspeita de ligação do ex-governador com propinas da Odebrecht, que teria sido favorecida em contrato de duplicação da PR 323, no interior do Paraná.

Em entrevista ao Estadão, o empresário Antônio Celso Garcia, o Tony Garcia, delator que levou Beto Richa para a cadeia, estimou que o tucano tenha recebido ‘entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões’ em propinas e caixa 2 nas campanhas eleitorais. Na avaliação do delator, a corrupção se instalou no governo Beto Richa ‘tão idêntica quanto a do Lula, como do Sérgio Cabral’.

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