Radioatividade pode chegar a políticos, diz PF

Radioatividade pode chegar a políticos, diz PF

Nova etapa da Lava Jato, que mira contratos da Eletronuclear, cita PMDB em esquema de propinas, mas, por enquanto, alvo são empresas e estatal

Redação

28 de julho de 2015 | 14h56

Foto: Fábio Motta/Estadão

Foto: Fábio Motta/Estadão

Por Julia Affonso e Fausto Macedo

A Operação Radioatividade, que nesta terça-feira, 28, prendeu o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, e o executivo Flávio David Barra, presidente global da Andrade Gutierrez Energia, pode chegar a políticos, segundo a Polícia Federal. O delegado da PF Igor Romário de Paula, no entanto, ressalta que o foco central da investigação, agora, são outros contratos da estatal relativos a obras da Usina Nuclear de Angra3, no Rio.

“É possível que no avanço das investigações a gente chegue a isso (políticos), mas nesse momento estamos focados somente nas empresas e na administração da Eletronuclear”, declarou o delegado Igor, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato.

A suspeita de envolvimento de políticos com o esquema em Angra3 surgiu na delação premiada do executivo Dalton dos Santos Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, empreiteira que teria feito parte do cartel que se apossou de contratos bilionários da Petrobrás – alvo das quinze etapas da Lava Jato que antecederam a Radioatividade.

Avancini afirmou que, durante reunião na sede da UTC Engenharia, em São Paulo, ocorrida em agosto de 2014, “foi comentado que havia certos compromissos do pagamento de propinas para o PMDB no montante de 1% e a dirigentes da Eletronuclear”.

As obras de Angra 3 foram reiniciadas em 2009 pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na época, o empreendimento estava orçado em R$ 7 bilhões. A previsão atual é que o custo total vai bater em R$ 15 bilhões. Deverá entrar em operação em 2018.

Em suas fases anteriores, a Lava Jato apontou pelo menos 52 políticos, entre deputados, senadores, governadores e ex-parlamentares que teriam sido beneficiários de valores ilícitos em contratos da Petrobrás.

O delegado Igor Romário de Paula explicou, em entrevista à Rede Globo, que, por enquanto, as atenções da força-tarefa da Radioatividade estão voltadas para os processos de concorrência da Eletronuclear. “Essa fase (da Lava Jato) tem foco em duas licitações específicas na construção de Angra3”, ressaltou; Segundo Igor Romário de Paula, o presidente licenciado na Eletronuclear “teve participação ativa” em todo o procedimento que levou à contratação do Consórcio Angramon (Obras Montagem de Angra3).

A PF sustenta que o almirante teve envolvimento direto inclusive na fixação de parâmetros que permitiram direcionar os contratos às empresas do mesmo cartel que se instalou na Petrobrás entre 2004 e 2014.

As buscas desta terça-feira, 28, não atingiram duas empreiteiras do esquema em Angra3 porque seus executivos principais fizeram delação premiada – Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, e Dalton Avancini e Eduardo Leite, da Camargo Corrêa.

A PF destaca que Flávio Barra, da Andrade Gutierrez Energia, também teve “participação ativa na orquestração de todo o cartel, de quem ficaria com cada uma das obras”.

“Era ele quem controlava, não só fazia o contato com os agentes da estatal, como era o responsável pelo pagamento das propinas”, declarou o delegado federal.

Igor Romário de Paula disse,ainda que a investigação também pode avançar em contratos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. “É possível, principalmente porque as empresas estão se repetindo e a forma de contratar é sempre a mesma. Naturalmente, a investigação em seu tempo vai chegar até lá.”

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