R$ 259 mil depositados por motorista é ‘caixa do bar’, diz ex-diretor da Dersa à PF

R$ 259 mil depositados por motorista é ‘caixa do bar’, diz ex-diretor da Dersa à PF

Pedro da Silva, preso desde 21 de junho na Operação Pedra no Caminho, disse aos investigadores que 12 depósitos em espécie feitos por seu funcionário são oriundos de atividade comercial

Julia Affonso e Luiz Vassallo

10 Agosto 2018 | 05h00

Foto: Reprodução

Em depoimento na Operação Pedra no Caminho, o ex-diretor da Dersa Pedro da Silva afirmou que 12 depósitos em espécie feitos por seu motorista, no total de R$ 259 mil, são oriundos do ‘caixa do bar’. O executivo foi preso em junho e denunciado, no mês seguinte, com outros 13 investigados, pela força-tarefa da Operação Lava Jato, em São Paulo, pelos crimes de fraude à licitação, falsidade ideológica e organização criminosa.

Um relatório de análise bancária da Polícia Federal, no âmbito da Pedra no Caminho, apontou que Pedro da Silva movimentou R$ 50 milhões em cinco anos. De acordo com o documento, as contas vinculadas ao executivo, incluindo as de suas empresas, fizeram 21,9 mil transações, sendo R$ 50.649.422,79 a débito e R$ 50.646.401,97 a crédito, no período entre fevereiro de 2013 e agosto de 2017.

Foto: Reprodução

Segundo a PF, boa parte ocorreu entre empresas do próprio diretor da Dersa. Os investigadores afirmam que o ex-diretor da Dersa também recebeu diversos depósitos em espécie de pessoas físicas e de suas próprias pessoas jurídicas.

Durante o depoimento prestado em 21 de junho, a PF questionou Pedro da Silva sobre essas transações. Os investigadores perguntaram ao executivo sobre 12 depósitos em espécie feitos por seu motorista Pedro Alcântara Brandão Filho. Os repasses somaram R$ 259.139,00 e foram enviados para as contas das empresas SCJ Agropecuária e Stars Bar entre fevereiro de 2013 a julho de 2017.

“Pedro Alcântara foi funcionário do Star Bar e Restaurante LTDA., e os depósitos se referem ao caixa do bar”, afirmou.

Dados da Receita Federal apontam o Stars Bar e Restaurante foi criado em 2010. O cadastro perante o Fisco teve baixa em 2015.

A PF quis saber do executivo sobre sete depósitos em espécie da auxiliar de escritório Jucelene Aparecida Ferreira Dornellas, da SCJ, no total de R$ 213,5 mil, em contas de titularidade de Pedro da Silva e de suas empresas SCJ e Stars Bar. O ex-diretor da Dersa relatou que os depósitos se referem à venda de seu gado que ficava confinado na Fazenda SCJ, em Bofete, no interior de São Paulo.

“O declarante recebia em espécie dos compradores e entrega para que ela os depositasse, na conta do próprio declarante ou da empresa; que não se recorda no momento quem foram os compradores que lhe pagaram em espécie”, disse.

Pedro da Silva também foi questionado sobre transferências bancárias em conta de titularidade da empresa SCJ Agropecuária entre dezembro de 2015 e agosto de 2017,
somando R$ 2.234.769,00. O executivo declarou que ‘os depósitos se referem à venda de uma fazenda’, de sua propriedade, ‘que estava registrada no nome da empresa Bussiness’, em Juiz de Fora, em Minas.

“Caso alegue venda de imóveis, por qual motivo as transferências perduraram por mais de 01 (um) ano e meio? Quando foi formalizada a venda dos imóveis? Pactuou-se o parcelamento do pagamento? Tem documentação comprobatória?”, perguntou a Federal.

O executivo disse que ‘foi combinado o pagamento parcelado, o que consta na Escritura que será apresentada por seu advogado’.

No depoimento, a PF também perguntou a Pedro da Silva sobre depósitos em espécie e transferências bancárias a débito de contas de outro investigado e a crédito dele próprio e das empresas SCJ e Stars Bar no valor de R$ 1.359.033,00. O executivo respondeu que os depósitos se referem ao resultado de transações comerciais realizadas por ele por meio de suas empresas, como venda gado, realizações de shows.

“Valdir é seu funcionário e realizava os depósitos em espécie pois recebiam em espécie os pagamentos; Que Valdir hoje é funcionário do declarante em uma empresa denominada Vinhedo Sonorização”, afirmou.

“Valdir movimentava dinheiro em suas contas pessoais.”

À Polícia Federal, o executivo afirmou que ‘não recebeu nenhum tipo de vantagem indevida’. Pedro da Silva relatou aos investigadores que entrou no Dersa em 1996. Até maio de 2018, foi diretor de Engenharia, quando foi exonerado.

“Atualmente é produtor rural”, declarou.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALAMIRO VELLUDO SALVADOR NETTO, QUE DEFENDE PEDRO DA SILVA

A prisão preventiva decretada em desfavor de Pedro da Silva é injusta, pois não se encontram preenchidos os requisitos necessários para sua aplicação. Não tenho dúvida que sua inocência ficará demonstrada ao final da instrução processual. Já aportaram aos autos provas sobre a licitude dos aditamentos realizados nos contratos do Trecho Norte do Rodoanel. Da mesma forma, ficará devidamente demonstrada a origem e regularidade de seu patrimônio no procedimento instaurado para esta finalidade, oriundos de atividades particulares e legais do acusado. Alamiro Velludo Salvador Netto, advogado.

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