Quimeras de renovação

Quimeras de renovação

João Linhares*

10 de julho de 2022 | 04h00

João Linhares Júnior. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

À beira do abismo,
caiu dentro de si.
E não apreciou o que encontrou.
Mirou o céu
de sua mente
e lobrigou o sol enegrecido,
uma palidez e opacidade
estranhas, tétricas, inusitadas.
Almas cativas bradavam:
– liberdade, liberdade, onde estás?
As chagas supuravam.
O odor do pesadelo exalava.
Mas havia esperança?
No sonho, sim, malgrado
do outro lado
um corifeu arregimentasse
demônios para atormentar a verdade.
E a voz da mentira predominava,
singrava o oceano cósmico daquela visão lúgubre.
A peita se sentia imbatível!
Entretanto, eis que, inopinadamente,
o céu se abriu e dele o manto azul da esperança retumbou e com ela
veio abraçada a renovação.
Ambas sorriam.
A mentira saiu esbaforida, correndo, esbravejando…
E a liberdade apareceu à luz de um sol radiante com o cântico do amor.
Não se deveria despertar jamais de bons sonhos; eles recobram a alma.

*João Linhares, promotor de Justiça do MP/MS. Integrante da Academia Maçônica de Letras de MS. Mestre em Garantismo e Processo Pena pela Universidade de Girona/Espanha. Especialista em Direito Constitucional pela PUC/RJ

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