Quer inovar? Vá viajar

Quer inovar? Vá viajar

Cassio Grinberg*

11 Janeiro 2019 | 05h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Viagens propiciam movimentos fundamentais em nossas vidas. Como a capacidade de nos colocarmos nos sapatos de outras comunidades, que nos revelam identidades e culturas por meio de suas cidades, invertendo o binóculo de nosso umbigo ao posicionar-nos à distância de nossos próprios conflitos pessoais.

O ex-vocalista da banda Talking Heads David Byrne costuma levar sua bicicleta para todas as cidades onde faz shows. Ian Fleming, que conhecemos como o criador do personagem 007, escreveu nos anos 1960 uma série de artigos para o The Sunday Times a respeito de suas viagens a quatorze cidades.

Tais experiências compõem o livro Cidades Fascinantes (Best Seller, 1965), no qual o autor confessa, se desatando das amarras do politicamente correto, seu interesse pela aventura: abandonar as ruas largas e bem iluminadas para aventurar-se nas vielas à procura da pulsação oculta, autêntica das cidades.

Você não precisa ser gênio: uma viagem definitivamente o leva a ter insights. Vitrines, museus, bares, tudo fala sobre a maneira como uma região funciona, e enxergar essas estruturas de fora, quer se correlacionem ou não, dota o viajante de uma capacidade de compreensão panorâmica. É como se elas dissessem: é assim que somos, trabalhamos ou nos divertimos e, se você se dá conta disso, também tem capacidade para fazer algo que não costuma: procurar entender melhor aqueles que estão bem perto.

Pensar inovação por inspiração externa e conectá-la a soluções incrementais que podem melhorar o seu próprio entorno.

Se viajamos, somos capazes de escapar da “tirania da razão”. Colocamos nosso cérebro para descansar. Desligamos nossa mente dos whatsapps de padaria e abrimos espaço para mensagens criptografadas de nosso próprio inconsciente – matéria-prima da imaginação produtiva quando misturada a curiosidade e intuição e trabalho duro. Ao viajarmos, acessamos uma espécie de dimensão paralela: um estado de espírito que aguarda em stand-by até que, na próxima viagem, voltemos a nos conectar com ele.

E então embarcamos em voo de ida, paixão sem conversão, caminho sem volta.

*Cassio Grinberg, economista e consultor de empresas
cassio@grinbergconsulting.com.br

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