Quem votou pelo impeachment nem imaginava, diz Cristovam Buarque sobre tentativa de enfraquecer Lava Jato

Quem votou pelo impeachment nem imaginava, diz Cristovam Buarque sobre tentativa de enfraquecer Lava Jato

Em seu Twitter, parlamentar cita reportagem que fala sobre os áudios de Sérgio Machado com Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá que revelam a estratégia para evitar o avanço da operação

Mateus Coutinho e Fausto Macedo

27 de maio de 2016 | 10h53

Senador Cristovam Buarque. Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

Senador Cristovam Buarque. Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

Ex-PT, ex-PDT e atualmente no PPS, o senador Cristovam Buarque (DF) afirmou nesta sexta-feira, em seu perfil oficial no Twitter que “quem votou pelo afastamento de Dilma nem imaginava coisas como estas que se viu nas gravações”, em referência aos áudios das conversas do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com o ex-presidente José Sarney (PMDB), o ex-ministro Romero Jucá (PMDB) e o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB).

A mensagem do senador foi acompanhada de um link para uma matéria desta manhã do Bom Dia Brasil, da TV Globo mostrando que, para as autoridades, os diálogos revelam a intenção dos caciques do PMDB em atrapalhar as investigações da Lava Jato.

Um dos idealizadores do Bolsa Família, principal programa social do PT ao chegar na Presidência, Buarque foi um dos votos decisivos na sessão do Senado que votou pela abertura do processo de impeachment contra Dilma e começou no dia 11 e se estendeu até a manhã do dia 12. Com a presença de 78 parlamentares no plenário, o placar ficou 55 a 22 pelo afastamento da petista (o presidente do Senado não vota).

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“[O voto pela admissibilidade] é um voto para que o Brasil seja passado a limpo” afirmou ao proclamar seu voto, na época. Ele ressaltou em seu discurso, porém, que não sabe ainda como votará ao final do julgamento de Dilma, ao fim do afastamento da chefe de Estado.

Na ocasião, Cristovam Buarque lembrou que há mais de 50 anos esteve entre os estudantes que defenderam o governador Miguel Arraes (1916-2005) no Palácio do Campo das Princesas, durante o Golpe de 1964, e disse que com a mesma convicção votaria pela abertura do julgamento de Dilma. O senador afirmou que não foi ele que mudou, mas os que agora estão no poder.