Investidores estimam perdas de pelo menos US$ 500 milhões com ações da Petrobrás nos EUA

Investidores estimam perdas de pelo menos US$ 500 milhões com ações da Petrobrás nos EUA

Nove investidores da lista estimam perdas superiores a US$ 50 milhões cada

Redação

09 Fevereiro 2015 | 20h43

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

A lista de investidores detentores de American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobrás, nos EUA, que aderiram à ação judicial coletiva entregue na sexta-feira, 6, à Corte de Nova York foi divulgada nesta segunda-feira, 9. A petição entregue pelo escritório americano Wolf Popper em conjunto com o Almeida Advogados, do Brasil, foi assinada pela Union Asset Management Holding AG, Handelsbanken Fonder AB, Ohio Public Employees Retirement, Public Employee Retirement System of Idaho, Employees Retirement System of the State of Hawaii, Universities Superannuation Scheme Limited, SKAGEN AS, Danske Invest Management A/S, Danske Invest Management Company.

Os 9 maiores acionistas da lista afirmam que tiveram perdas superiores a U$ 50 milhões de dólares cada. A ação judicial coletiva, ou Class Action, teve início no ano passado. A primeira audiência será no dia 9 de março, em Nova York. Todo o processo deve levar de 2 a 3 anos, segundo o advogado André de Almeida, do escritório Almeida Advogados.

“O esquema de lavagem de dinheiro e suborno foi estimado em R$ 10 bilhões ou aproximadamente US$ 4,4 bilhões. Além de altos executivos da Petrobrás, o esquema ilegal de suborno e de propina também envolveu políticos e um grupo de, pelo menos, 16 empreiteiras que formaram um cartel que assegurou que os seus membros iria ganhar grandes contratos da Petrobrás”, diz a petição.

Advogados tentam convencer o juiz Rakoff dos prejuízos causados pela Petrobrás. Foto: Justin Maxon/The New York Times

Advogados tentam convencer o juiz Rakoff dos prejuízos causados pela Petrobrás. Foto: Justin Maxon/The New York Times

Os investidores que fazem parte da ação coletiva compraram ações na Bolsa de Nova York entre 7 de Janeiro de 2010 até 26 de novembro de 2014. A petição destaca que a prisão de executivos da estatal, por causa das denúncias de corrupção, e admissões de que a empresa pode ter de ajustar suas demonstrações financeiras provocaram a queda nas ADRs da Petrobrás.

“As ações ordinárias caíram de US$ 19,38 dólares por ADS em 5 de setembro de 2014 para US$ 9,72 por ADS em 28 de novembro de 2014, representando uma queda total de US$ 9,66 dólares, por ADS, ou aproximadamente 50%. Da mesma forma, as ações preferenciais diminuíram de US$ 20,27 dólares, por ADS, em 5 de setembro de 2014 para US$ 10,21 dólares por ADS em 28 de novembro de 2014, representando uma queda total de US$ 10,06, por ADS, ou aproximadamente 50%”.

A ClassAction é uma ação coletiva que visa proteger toda a classe de investidores que se enquadrem nos requisitos da ação. Para os investidores, as principais vantagens de ingressar na ação consistem na possibilidade de obter indenização punitiva, celeridade no processo, litigância conjunta, o que reduz os custos e une os interesses comuns, assim como a possibilidade de o investidor ter voz ativa nas negociações de uma eventual proposta de acordo pela Petrobrás.

________________________________________________

VEJA TAMBÉM:

Entenda a ClassAction movida contra a Petrobrás

Aposentado perdeu US$ 1,5 mi com Petrobrás

‘Centenas’ aderem a ações coletivas, dizem advogados

________________________________________________

 

Mais conteúdo sobre:

EUAoperação Lava JatoPetrobrás