Quem quer se tornar Mianmar?

Quem quer se tornar Mianmar?

Cássio Faeddo*

23 de fevereiro de 2021 | 07h40

Cássio Faeddo. FOTO: DIVULGAÇÃO

EUA, Canadá e Reino Unido anunciaram sanções aos líderes do golpe militar em Mianmar. Por enquanto ficará assim. Porém, não se tratará de uma limitação de ações, mas um aviso.

Golpes militares conduzem países a se tornarem palco para medição de forças de grandes potências. O prejudicado, obviamente, é o povo.

Quando grandes países lançam mão de embargos econômicos, especialmente, populações inteiras passam fome. Isso acontece em Cuba, Venezuela e Irã atualmente, apenas para citarmos alguns exemplos.

O Irã, nesse exato momento, aguarda inspeção da ONU para verificação de suas instalações para produção de energia nuclear, e anseiam pela suspensão de embargos.

Portanto, não há qualquer viabilidade de intervenção militar que conduza um país a prosperidade.

Apoiar intervenção das Forças Armadas com o rompimento da Lei, não é só uma ignorância política, mas um ato de insanidade, pois um país que se deixa levar por quarteladas, torna-se um pária nas relações internacionais com as demais democracias liberais.

E como citamos acima, se um país quer virar palco de luta geopolítica entre EUA, China, Rússia, União Europeia, não há melhor caminho do que o rompimento da ordem constitucional.

Desta forma, se um país deseja caos, confusão generalizada, aí está a receita.

Para tornar-se uma Venezuela, Mianmar ou qualquer outra república de bananas, não há melhor caminho do que um golpe militar.

*Cássio Faeddo, advogado. Mestre em Direito. MBA em Relações Internacionais – FGV/SP

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