‘Quem me pediu direto foi o velhinho’

‘Quem me pediu direto foi o velhinho’

Mensagens de Whatsapp recuperadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Maus Caminhos, que mira desvios na Saúde no Amazonas, revelam supostas tratativas de propinas ao ex-governador Jose Melo (PROS)

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

26 de dezembro de 2017 | 10h01

Mensagens de Whatsapp recuperadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Estado de Emergência – terceira fase da Operação Maus Caminhos, que mira desvios na Saúde no Amazonas -, revelam supostas tratativas de propinas ao ex-governador Jose Melo (PROS).

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Preso temporariamente na quarta-feira, 21, Melo está sob suspeita de receber vantagens indevidas de um esquema criminoso ‘o que gerava acréscimos patrimoniais e movimentações financeiras incompatíveis com a renda’. Em relatório, a PF diz entender que os outros alvos das investigações se referiam a Melo como ‘velhinho’.

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O ex-governador é citado, por exemplo, pelo empresário e médico Mouhamad Mustafá, já acusado em outra investigação pelo suposto desvio de R$ 100 milhões da saúde.

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Em uma das mensagens, ele pede à advogada Priscila Marcolino Coutinho para sacar R$ 200 mil e ficar com R$ 500 mil para ‘ajuda financeira’ ao ‘velhinho’.

“Quem pediu foi direto o velhinho”.

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Em seguida, Priscila nega o favor alegando que ‘não precisa’.

‘Tem 500 aqui em casa’, responde.

‘Fechou’, conclui Mouhamad.

A Operação Estado de Emergência, deflagrada na quinta, 21, recebeu este nome, segundo a PF, por ser ‘uma referência à situação de calamidade pública que se encontrava a prestação de serviços de saúde no Estado’.

Em 31 de agosto de 2016, o então governador decretou estado de emergência econômica na saúde do Amazonas, um mês antes da deflagração da primeira fase da Operação Maus Caminhos.

Na ocasião, Melo criou o Gabinete de Crise, composto pelas secretarias estaduais de Saúde, Casa Civil, Fazenda e Administração e Gestão.

Segundo a PF, os secretários destas Pastas foram presos na Operação Custo Político, 2ª fase da Maus Caminhos, deflagrada no último dia 13.

Os investigadores descobriram o suposto envolvimento do ex-governador com o ‘avanço da investigação’.

A PF diz que ‘o chefe maior do Executivo estadual recebia pagamentos periódicos dos membros da organização criminosa’.

Na primeira fase da operação, a PF, Procuradoria e a Controladoria descobriram que a organização desviava recursos da saúde por meio de contratos da Secretaria da área com o Instituto Novos Caminhos (INC) para a gestão de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Manaus e Tabatinga e um centro de reabilitação para dependentes químicos em Rio Preto da Eva. As fraudes somavam mais de R$ 110 milhões e ‘contavam com o envolvimento de agentes públicos e privados’.

A segunda etapa da Maus Caminhos, denominada Custo Político, chegou a ‘novos agentes públicos’ supostamente envolvidos nas irregularidades, incluindo ex-secretários do Amazonas. A investigação revela que os ex-secretários ‘utilizavam prerrogativas para dar prioridade e agilidade nas liberações de recursos para a organização social INC, ‘mediante atos de ofício e em troca de vantagens indevidas’.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem está tentando contato com a defesa do ex-governador José Melo. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA PRISCILA MARCOLINO COUTINHO

A reportagem tentou contato com a advogada Priscila Coutinho. O espaço está aberto para manifestação.