Quem está pronto para a próxima crise?

Quem está pronto para a próxima crise?

Roberto Cannavan*

08 de outubro de 2020 | 03h00

Roberto Cannavan. FOTO: DIVULGAÇÃO

O mundo ainda levará alguns anos para se reerguer da atual crise provocada pela Covid-19. No caso das empresas, embora de forma variável, conforme o setor e o porte de cada corporação, é possível dizer que todas foram impactadas pela pandemia.

E quando digo “impactadas” não me refiro apenas do ponto de vista negativo. Temos vários exemplos de companhias que não só estão atravessando de forma positiva o momento atual, como sairão mais fortes e maiores quando essa turbulência passar.

Já foi dito que a pandemia acelerou mudanças que estavam anunciadas, mas que engatinhavam – para o bem e para o mal. Afinal, há pouco mais de um ano, tínhamos outras prioridades e não imaginávamos que o mundo estaria como hoje.

Neste cenário, vários fatores ajudam a explicar e diferenciar um exemplo bem sucedido de um caso mais grave, como o fechamento de uma empresa. Mas existe um aspecto que talvez seja o principal entre todos: a capacidade para se adaptar rapidamente às mudanças, sejam elas previsíveis, de caráter incremental, ou imprevisíveis, como uma pandemia, um terremoto ou um furacão.

Em razão do isolamento social, muitos consumidores compraram pela Internet pela primeira vez nos últimos meses e, entre esses, grande parte continuará adquirindo bens e serviços desta forma. Com isso, a adaptação ao comércio online foi quase mandatório para muitos restaurantes e para o varejo.

Ao mesmo tempo, a demanda da sociedade sobre as empresas, para que tenham atitudes amigáveis ao meio ambiente, como uso de energias renováveis e redução na utilização de recursos naturais aumenta substancialmente. São iniciativas que necessitam de investimentos pesados e que deverão ser assumidos pelas empresas, uma vez que os cidadãos não estão dispostos a pagar mais por isso.

Na indústria, a pandemia evidenciou a fragilidade da cadeia de suprimentos. Não apenas na área da saúde, mas em praticamente todos os setores que possuem fornecedores de insumos, peças e matérias-primas espalhados pelas diferentes regiões do planeta. Setores como o automobilístico, por exemplo, tiveram que se readaptar rapidamente, para garantir o fornecimento de peças e o equilíbrio de suas operações globais.

Neste ambiente complexo para os negócios, com demandas e interferências que mudam de maneira cada vez mais rápida (e às vezes inesperada), precisamos nos perguntar se estaremos preparados para as novas disrupções. A Covid-19 foi um teste importante, mas é preciso ter em mente que eventos como esse devem ocorrer de maneira mais acentuada de agora em diante, seja por motivos ambientais, de saúde, concorrencial, de regulação setorial por parte de governos, entre outros. Todos esses aspectos influenciam os negócios e o funcionamento das empresas. Quem será ágil o suficiente, para permanecer atuante pelos próximos 10 anos?

O processo de digitalização das empresas ganhou uma velocidade brutal no último ano e isso tende a se intensificar de forma exponencial. Os bancos de dados ganharam valor absurdo, mas a sua correta análise e utilização é o ponto mais importante. Com isso, ganham espaço ferramentas e softwares que utilizam tecnologias como inteligência artificial e machine learning, para auxiliar na tomada de decisão mais precisa e, principalmente, mais ágil. 

Cada vez mais, a tecnologia precisa de ajudar as empresas a resolver problemas, e isto coloca uma grande responsabilidade sobre as próprias empresas de tecnologia, incluindo os programadores de software e as soluções de gestão como o ERP. Se as empresas precisam ser conectadas, ágeis, inovadoras e centradas na experiência do cliente – ou seja, flexíveis e adaptáveis – aqueles que fornecem o sistema que irá suportar este tipo de desempenho devem ter em conta toda esta adaptabilidade.

Este conjunto de transformações não está relacionado apenas a sobreviver em períodos de mudanças cada vez mais rápidas, mas em como tirar proveito do momento de disrupção para inovar e crescer num cenário de incerteza. Neste contexto, não basta ser maior e mais forte. É preciso ser mais rápido e adaptar-se ao ambiente, para não ser devorado.

*Roberto Cannavan, diretor de Vendas da QAD no Brasil

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