Queiroz aconselhava investigados no caso da rachadinha e funcionária teve ‘ponto retroativo’ na Alerj, mostram conversas

Queiroz aconselhava investigados no caso da rachadinha e funcionária teve ‘ponto retroativo’ na Alerj, mostram conversas

Esquema teria envolvido, além de Queiroz, outros quatro alvos da operação da manhã desta quinta-feira

Caio Sartori/RIO, Rayssa Motta, Fausto Macedo e Pepita Ortega

18 de junho de 2020 | 22h56

Alvo de mandado de busca e apreensão nesta manhã, a ex-assessora Luiza Souza Paes buscou, por meio do pai, a ajuda de Fabrício Queiroz, preso no âmbito da mesma investigação, para saber como agir. Os primeiros registros desse movimento se deram em dezembro de 2018, quando o caso foi revelado pelo Estadão, e chegaram a resultar em uma manipulação do ponto dela na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

“Deixa passar essa semana pra ver. Eu vou passar um áudio aqui pro Queiroz, perguntar pra ele ver lá com aquele advogado lá qual é a melhor atitude pra tomar. Entendeu? Depois eu te falo”, disse, em áudio, o pai dela, Fausto Antunes Paes. Depois, a orientou a levar extratos para casa a fim de que ele pudesse “trabalhar” neles antes de falar com Queiroz.

Outros alvos de buscas e apreensões nesta manhã entraram na mira dos investigadores neste contexto. São eles: a assessora Alessandra Esteves Marins; o advogado Luis Gustavo Botto Maia; e o funcionário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Matheus Azeredo Coutinho.

Coutinho, que trabalha no Departamento de Pessoal e cujo salário atual é de menos de R$ 1 mil por mês, teria marcado registros de ponto retroativos para Luiza. O intermédio se deu, segundo a investigação, por meio de Botto Maia e de Alessandra Esteves Marins, que era empregada de Flávio na Alerj e hoje trabalha no escritório de apoio dele no Rio.

A intenção, mostram as conversas obtidas pelo MP, era poder dar uma resposta a jornalistas sobre a presença de funcionários acusados de serem ‘fantasmas’. Segundo os investigadores, durante o período em que esteve formalmente nomeada, entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2017, Luiza só foi localizada nas cercanias da Alerj, a partir do monitoramento de ligações via celular, em três ocasiões.

“Oi pai. O Gustavo me ligou agora. Ele falou que foi levantar a situação, né? A Pequena (Alessandra) conversou com ele e esse cara que tá me ligando (Coutinho) ele trabalha lá e parece que os jornalistas começaram a perturbar o juízo aí eles foram levantar o meu ponto e parece que tá faltando alguma informação, eu não sei”, escreveu a Fausto, antes de finalizar: “Só que eu não lembro de ter assinado algum ponto, entendeu?”

Luiza foi vizinha de Queiroz quando ele morava em Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio. O endereço dela, que fica na mesma rua, foi visitado nesta manhã pelos investigadores.

 

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