‘Que País é esse?’ prende ‘Marcos Valério’ do esquema Delta

‘Que País é esse?’ prende ‘Marcos Valério’ do esquema Delta

Adir Assad, preso pela PF nesta segunda feira, operou R$ 300 milhões de empreiteira

Redação

16 de março de 2015 | 10h48

Por Fausto Macedo, Julia Affonso, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Andreza Matais

O empresário e lobista Adir Assad, preso nesta segunda feira, 16, pela Polícia Federal na Operação ‘Que País é esse?’, é apontado como o “Marcos Valério do esquema Delta”, a empreiteira que se associou ao contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Segundo a PF, Assad agia como operador dos esquemas da Delta para repasse de propinas a políticos, o que lhe valeu a comparação com o operador do mensalão – Marcos Valério foi acusado de fazer repasses de dinheiro ilícito a políticos.

Assad durante depoimento à CPI do Cachoeira. Foto: André Dusek/AE - 28/08/12

Assad durante depoimento à CPI do Cachoeira. Foto: André Dusek/AE – 28/08/12

Na Operação Lava Jato, dois delatores – os executivos Júlio Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça – afirmaram terem pago propinas de até R$ 60 milhões ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque e ao PT. Eles Indicaram ainda a conta “Marinelo” mantida por Duque no exterior, na qual depositaram US$ 1 milhão. Revelaram, ainda, que o esquema envolvendo a diretoria controlada pelos petistas na estatal petrolífera movimentava dinheiro via empresas de fachada ligadas à construtora Delta e ao lobista Adir Assad.

Assad tem um longo histórico de ligações com empresas de fachada geralmente usadas para financiamento de campanhas com recursos desviados de obras públicas. A empreiteira Delta foi alvo das investigações que resultaram na prisão de Carlinhos Cachoeira.

Agora na mira da Operação ‘Que País é esse?’, na qual também foi capturado o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, o lobista Assad aparece como sócio majoritário ou gestor de dezenas de companhias que só existem no papel, segundo os investigadores.

Em setembro de 2013, a PF deflagrou a Operação Saqueador. Na ocasião, a PF informou que a Delta e seu controlador, o empresário Fernando Cavendish, transferiram R$ 300 milhões para 19 empresas de fachada entre 2007 e 2012. O dinheiro era sacado em espécie, nos bancos, por pessoas que tinham procurações das empresas fictícias.

Na Operação Saqueador, 100 policiais federais cumpriram 20 mandados de busca e apreensão no Rio, São Paulo e Goiás.  Amparada na quebra do sigilo bancário de cerca de 100 pessoas físicas e jurídicas, autorizada em 2012 pela CPI do Cachoeira, a Polícia Federal constatou que Assad aparece como laranja de quase uma dezena de empresas de fachada, por meio das quais fazia emissão de notas frias de serviços e locação de máquinas e equipamentos para a empreiteira.

O sistema, segundo os federais, permitia que recursos desviados de obras públicas retornassem ao caixa da empreiteira e, depois, eram usados para duas finalidades: corromper servidores para ganhar licitações e financiar campanhas eleitorais por meio de caixa 2.

____________________________________

VEJA TAMBÉM:

Bloqueio de contas no Principado atinge também sucessor de Cerveró

PF apreende 131 obras de arte na casa de Duque

Defesa diz que vai pedir revogação da ordem de prisão de Duque

Reação de Duque ao ser preso pela 1ª vez inspira nome da nova etapa da Lava Jato

_____________________________________

Tudo o que sabemos sobre:

Adir Assadoperação Lava Jato

Tendências: