Reação de Duque ao ser preso pela 1ª vez inspira nome da nova etapa da Lava Jato

Ex-diretor de Serviços da Petrobrás, que voltou a ser preso nesta segunda-feira, disse 'Que país é esse?', quando ouviu voz de prisão em novembro do ano passado

Redação

16 de março de 2015 | 08h54

Andreza Matais, Fausto Macedo, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Julia Affonso

BRASÍLIA – A décima fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta segunda-feira, 16, foi batizada de “Que país é esse?” numa referência a frase dita pelo ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque ao ser preso pela primeira vez acusado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás, em novembro do ano passado. Na manhã de hoje, Duque foi preso novamente. A prisão faz parte da décima fase da Operação Lava Jato, que investiga desvios na estatal. Ele estava em casa, no Rio.

“Que País é esse?”, reagiu o ex-diretor na manhã de 14 de novembro de 2014, ao ouvir voz de prisão da Polícia Federal, em sua casa no Rio de Janeiro, em ligação ao seu advogado Renato de Morais – a quem chama de “xará”.

A indignação do ex-diretor – apontado pela força-tarefa da Operação Lava Jato como homem-forte do PT no esquema de corrupção na Petrobrás – ocorreu após ele ser comunicado pelos agentes, já dentro de sua casa, que seria levado para a carceragem da PF em Curitiba, base da investigação. O ex-diretor voltou a ser preso na manhã desta segunda-feira em sua casa no Rio de Janeiro. Não há relatos de que tenha se indignado novamente.

Duque seria o diretor responsável pela arrecadação de 2% de propina em todos os contratos das demais diretorias da Petrobrás. Só na Diretoria de Abastecimento, nos esquemas de desvio comandados por outro ex-diretor, ele teria captado R$ 640 milhões entre 2004 e 2012.

Renato Duque levado à sede da PF no Rio, em novembro do ano passado - Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

Renato Duque levado à sede da PF no Rio, em novembro do ano passado – Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

O ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco, que era braço-direito de Duque, afirmou em sua delação premiada que o tesoureiro do PT, João Vaccari, arrecadou “até US$ 200 milhões” para o partido, via Diretoria de Serviços.

Naquele 14 de novembro, a PF deflagrou a sétima fase da Lava Jato, batizada de Juízo Final, que tinha como principal alvo o braço empresarial do esquema. Eram 7h, quando os policiais encerraram as buscas dentro da residência de Duque. Ele liga para o advogado, que o questiona. “É busca e apreensão só? Não tem mandando de condução coercitiva, nem prisão?”

Depois de consultar o delegado que comandava a operação, Duque responde ao advogado: “Tem mandado de prisão temporária”.

Ao ouvir do delegado que seu destino é a custódia da PF no Paraná, Duque reclama com o advogado, ao telefone: “O que é isso, cara?, que País é esse?”.

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