‘Que o deboche dê lugar ao medo’, diz PF sobre prisão de ex-assessor do PP

‘Que o deboche dê lugar ao medo’, diz PF sobre prisão de ex-assessor do PP

Ao explicar a 29.ª fase da Operação Lava Jato, delegado Luciano Flores avisa que 'a investigação no Brasil é efetiva' e critica o fato de João Claudio Genu, preso hoje, ter recebido propinas do esquema na Petrobrás durante o julgamento do mensalão

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

23 de maio de 2016 | 11h04

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Força-Tarefa da Lava Jato explica a 29ª fase da Operação. Foto: Reprodução

Denunciado no mensalão por um saque de cerca de R$ 1,1 milhão das empresas de Marcos Valério, operador do esquema que atualmente cumpre 37 anos de prisão, o ex-assessor do PP João Claudio Genu foi preso nesta manhã pela Lava Jato sob suspeita de receber ao menos R$ 2 milhões do esquema de corrupção da Petrobrás enquanto era julgado pelo Supremo.

“Havia um extremo deboche da Justiça Criminal brasileira, dos órgãos de investigação. Hoje esperamos que esse deboche tenha dado lugar ao respeito às instituições e os que devem ter autonomia para investigar e ao Poder Judiciário que está fazendo bem o seu papel em todas as instâncias. Esperamos que essa impunidade que antes havia no pensamento dos criminosos hoje dê lugar para o medo de ser preso por ter roubado dos cofres públicos e dê lugar para o medo, que a investigação no Brasil é efetiva e que o Poder Judiciário condena e mantém preso quem comete reiteradamente os mesmos crimes, mesmo estando condenado recentemente”, afirmou o delegado da PF da força-tarefa em Curitiba, Luciano Flores de Lima.

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O ex-assessor do PP, João Claudio Genu. Foto: Estadão

Segundo o delegado, as apurações da Lava Jato revelaram que Genu e seu sócio Lucas Amorim Alves, alvo de mandado de prisão temporária nesta segunda, teriam recebido mais de R$ 7 milhões sem justificativa nas empresas mantidas por eles. Com as novas revelações, a Polícia Federal apontou ainda que foram descobertas novas operações de lavagem de dinheiro, inclusive envolvendo contas no exterior, do esquema do mensalão e também do esquema na Petrobrás envolvendo Genu.

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“Estamos coletando provas sobre esse esquema em que um dos membros da quadrilha que organizou o mensalão agora repescado pela lava jato estando a investigação próxima de sua conclusão com provas cabais”, explicou Luciano Flores.

‘Foragido’. O delegado ainda comentou sobre a situação do empresário Humberto Amaral Carrilho, que teve um mandado de prisão preventiva expedido contra ele, mas não foi localizado em sua residência, em Recife (PE). “Estamos aguardando contato dele antes de encaminhar o nome dele para a Interpol e prendê-lo no local onde ele se encontra”, disse Luciano Flores, para quem o executivo é considerado foragido da PF.