Quatro negócios obscuros do sr. Luz

Quatro negócios obscuros do sr. Luz

Na lista estão a compra do navio-sonda Petrobrás 10.000, fornecimento de asfalto e venda da empresa Transener

Julia Affonso e Ricardo Brandt

24 de fevereiro de 2017 | 05h00

jorgeluzinterpol

A Procuradoria da República, no Paraná, detalhou no pedido de prisão dos operadores do PMDB Jorge Luz e Bruno Luz quatro negócios da Petrobrás que supostamente envolveram propina. Na lista estão a compra do navio-sonda Petrobrás 10.000, o contrato de operação do navio-sonda Vitória 10.000, a venda da empresa Transener e o fornecimento de asfalto pela empresa Sargeant Marine. Jorge e Bruno Luz, pai e filho respectivamente, são considerados foragidos da Operação Lava Jato. Eles estariam escondidos nos Estados Unidos.

brunoluzinterpol

Navio-plataforma Petrobras 10000. Foto: Petrobrás - 16/10/2009

Navio-plataforma Petrobras 10000. Foto: Petrobrás – 16/10/2009

Petrobrás 10.000. Em delação premiada, o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró relatou que a aquisição do Petrobrás 10.000 teve propina de US$ 15 milhões. Segundo o delator, ele próprio ficou com US$ 2,5 milhões, o operador de propinas Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, levou US$ 2 milhões, executivos da estatal Eduardo Musa, também colaborador da Lava Jato, Rafael Comino, Demarco Epifânio e César Tavares receberam US$ 4 milhões, o ex-diretor de Abastecimento da companhia Paulo Roberto Costa e o ex-assessor do PP João Cláudio Genu, US$ 1 milhão, e agentes políticos investigados perante o Supremo Tribunal Federal (STF), US$ 5,5 milhões. O repasse a políticos, segundo Cerveró, foi feito por Fernando Baiano e Jorge Luz.

Também delator da Lava Jato, Fernando Baiano descreveu Jorge Luz ‘como intermediador de propina em favor de agentes políticos,, o qual recebeu US$ 4 milhões referentes ao contrato de construção do navio-sonda’. Segundo a Procuradoria, Fernando Baiano identificou que a conta registrada em nome da offshore Pentagram pertence a Jorge Luz.

Vitoria 10.000. A força-tarefa da operação afirma ainda que Jorge Luz atuou para arrecadar propina em favor do corpo técnico da estatal no contrato de operação do navio-sonda Vitória 10.000. A compra do navio-sonda foi objeto de ação penal aberta em 2015. Segundo a Procuradoria, os empresário Milton Schahin e Salim Schahin ‘geriram fraudulentamente instituição financeira’ para conceder um empréstimo de R$ 12 milhões ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Segundo Fernando Soares, em colaboração premiada, Jorge Luz buscou junto a Schahin o pagamento de propina, o que teria ocorrido em reunião com Fernando Soares, Jorge Luz, Fernando Schahin e Sandro Tordin, quando foi afirmado que existia o acerto de 3 ou 4 milhões para o grupo de funcionários da Petrobrás”, destaca a Procuradoria no pedido de prisão de pai e filho.

Transener. O Ministério Público Federal aponta que Jorge Luz ‘figura como intermediador de propina envolvendo a venda da empresa Transener da Petrobrás para a empresa Electroingenieria, sediada na Argentina, o que ocorreu nos anos de 2006 e 2007’. Fernando Baiano afirma que, em 2006, Jorge Luz, representando a empresa argentina, o teria procurado ‘para obter auxílio na realização da compra da empresa Transener pela Electroengenieria’.

“Fernando Soares levou a situação apresentada por Nestor Cerveró para Jorge Luz, o qual disse que a transação envolvendo a Transener foi apresentada a ele por Roberto Dromi, pessoa influente no governo argentino, que inclusive ocupou o cargo de Ministro do Planejamento no governo Menen”, detalha a Procuradoria. “Fernando Soares relatou a realização de algumas reuniões, no Brasil e na Argentina. O assunto “comissões” foi discutido na Argentina, no escritório de Roberto e Nicolas Dromi e em outra oportunidade com os donos da empresa Electroengenieria.”

Paulo Roberto Costa no Aeroporto de Curitiba, após retirar a tornozeleira eletrônica. Foto: Geraldo Bubniak / AGB / Ag. O Globo

Paulo Roberto Costa no Aeroporto de Curitiba, após retirar a tornozeleira eletrônica. Foto: Geraldo Bubniak / AGB / Ag. O Globo

Asfalto. Ao pedir a prisão de Jorge Luz, o Ministério Público Federal afirmou que o lobista do PMDB ‘também operou propina em favor de Paulo Roberto Costa, então diretor da área de Abastecimento da Petrobrás’.

“A partir das declarações prestadas por Paulo Roberto Costa em sede de colaboração premiada, extrai-se que, em 2008, Jorge Luz apresentou ao ex-diretor de abastecimento a empresa americana chamada Sargeant Marine, hábil a adquirir asfalto no exterior e trazer para o Brasil. Em decorrência disso, foram firmados contratos entre a Petrobrás e a Sargeant Marine, o que resultou no recebimento de USD 192.800,00 por Paulo Roberto Costa a título de propina, que foi operacionalizada por Bruno Luz e Jorge Luz, o que ocorreu mediante depósitos realizados no exterior, mais especificamente na conta da offshore OST Invest & Finance, localizada no Banco Lombard Odier-Gen, na Suíça”, destaca a Procuradoria.

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