‘Quase impossível eximir responsabilidade’, diz PF sobre Coaracy, preso na Águas Claras

‘Quase impossível eximir responsabilidade’, diz PF sobre Coaracy, preso na Águas Claras

Mergulhado em um escândalo sem precedentes no setor, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) foi preso nesta quinta-feira, 6

Julia Affonso, Gonçalo Júnior e Fausto Macedo

06 de abril de 2017 | 14h40

Coaracy Nunes. 2009. Foto: Antonio Lacerda/EFE

Coaracy Nunes. 2009. Foto: Antonio Lacerda/EFE

O delegado regional da Polícia Federal Rodrigo de Campos Costa, do Combate ao Crime Organizado em São Paulo, afirmou nesta quinta-feira, 6, ser ‘quase impossível’ tirar a responsabilidade do presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes. Submerso no escândalo da Operação Águas Claras – investigação que mira desvios milionários de verbas federais -, o dirigente foi preso pela manhã.

“Na condição de presidente da CBDA por muito tempo, fica quase impossível você eximir a responsabilidade do dirigente central do órgão em todas essas fraudes que foram identificadas na investigação”, declarou o delegado.

Outros dois dirigentes foram presos também nesta quinta – Ricardo Cabral (Coordenadoria Técnica de Polo Aquático) e Sergio Ribeiro Lins de Alvarenga (Diretor Financeiro). O secretário geral de Natação e Executivo, Ricardo de Moura, está foragido.

As investigações apuram o destino de cerca de R$ 40 milhões repassados à CBDA, que não teriam sido devidamente aplicados nos esportes aquáticos. Entre as fraudes, estão licitações para aquisição de equipamentos de natação no valor aproximado de R$ 1,5 milhão. Há indícios de que a empresa vencedora seja apenas de fachada, pois em seu endereço na capital paulista funciona uma Pet Shop.

Também é alvo da Águas Claras a contratação, com suspeitas de irregularidade, de agência de turismo que venderia passagens aéreas e hospedagens para os atletas com preços superfaturados. Essas contratações irregulares eram realizadas com verbas federais obtidas por meio de convênios com o Ministério dos Esportes.

A operação investiga ainda a suposta apropriação por parte dos dirigentes da CBDA de premiação de US$ 50 mil que deveriam ter sido repassados a atletas.

COM A PALAVRA, A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS AQUÁTICOS

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos-CBDA segue com suas atividades esportivas programadas para o período. Enquanto a presidência da entidade se encontra vaga, a 25ª vara civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nomeou o advogado e contador, Dr. Gustavo Licks, como administrador provisório. Desta forma, vimos informar à comunidade dos esportes geridos pela CBDA – natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas – que as ações imediatas programadas em seu calendário não serão interrompidas.

O principal evento do mês, o Campeonato Sul-Americano Juvenil/Junior, a ser realizado na Colômbia, envolvendo todas as modalidades aquáticas, está confirmado e com todos os procedimentos sendo tomados para este fim. O corpo técnico e administrativo da entidade esteve reunido durante o dia de hoje, 6/04, com o administrador para traçar uma rotina de trabalho que garanta o funcionamento da Confederação.

A administração da CBDA forneceu todas as informações e documentos solicitados pelas autoridades policiais e aguarda mais instruções do departamento jurídico.

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