Quanto custa investir sozinho?

Quanto custa investir sozinho?

Lucas Taxweiler*

13 de maio de 2021 | 04h00

Lucas Taxweiler. FOTO: DIVULGAÇÃO

É comum que ao pensar em investimentos surjam discussões como esta: Investir sozinho vale mais a pena do que ter um especialista como aliado? A verdade é que há muitos benefícios em investir por meio de um modelo de baixo custo e interesses alinhados. Relatórios, comissões ou taxa fixa, qual modelo escolher na hora de investir? Vale colocar na ponta do lápis para saber quanto custa investir sozinho.

O primeiro modelo, e talvez o que ainda afaste muitos investidores deste mercado,  refere-se em grande parte às “casas de research”, nas quais o investidor paga determinado valor (que pode ser cobrado de forma mensal, anual ou em parcela única) e recebe periodicamente em diversos canais de comunicação o que fazer com sua carteira de investimentos. Naturalmente, o investidor vai precisar reservar um tempo do seu dia para colocar as recomendações em prática. Uma (ou muitas) hora(s) para acompanhar todo o conteúdo e tentar se informar ao máximo do que está acontecendo no mercado ou, no limite, apenas aproveitar alguns minutos no almoço – ou fim do dia – para executar o passo a passo descrito no relatório.

É um modelo interessante para quem gosta do mercado financeiro. Quem acompanha, acha curioso e quer aprender mais. No entanto, entender o mercado financeiro leva tempo e é extremamente complexo, contar com a ajuda de especialistas para falar o quê fazer evita que você cometa erros que te levem à ruína. No português claro, evita que você quebre.

Além disso, na prática este modelo tem um custo muito importante que deve ser levado em consideração: tempo. Se você ganha R$10 mil/mês e trabalha 8 horas por dia, podemos dizer que a sua hora custa R$56,82 para um “mês padrão” de 22 dias úteis. O perfil que apenas operacionaliza as recomendações investe cerca de R$625 por mês neste modelo e o que realmente gosta do tema e está focado em aprender pode chegar a até R$3.750 por mês, além do custo do relatório. Há tempo para investir nos investimentos agora?

Se a resposta for não, acredito que seja melhor pensarmos sobre o segundo modelo mais usado, e bem representado pela “consultoria taxa zero”, como muitas corretoras gostam de divulgar. O investidor não paga nada, mas o custo está embutido nas taxas dos produtos e na comissão do assessor que faz a recomendação. Será que existe assessoria gratuita mesmo?

A verdade é que não há segurança na relação investidor-assessor, afinal de contas, como o investidor irá confiar que o assessor que o está ajudando de fato está pensando no melhor para ele? Surge aqui o conflito de interesses, que vai prejudicar apenas uma pessoa nesta relação: o investidor.

Pense bem: Se você tivesse uma opção que é a ideal para o cliente, mas não paga as contas contra outra que “não fica tão para trás” e paga, qual você escolheria? É complicado. O modelo é complicado. Além disso, neste segundo modelo, o investidor ainda teria que reservar um tempinho para ouvir o que o assessor tem a dizer e realizar as operações. Possivelmente será menos tempo do que o primeiro, mas não deve ser desconsiderado.

Mas existe uma outra forma de investir? Já ouviu a máxima  “não invista com a corretora, invista como o dono da corretora”? Este é o último modelo da nossa lista, a remuneração por taxa fixa. Um acordo com a gestora gera uma taxa fixa e transparente que será cobrada pelo serviço e, além da recomendação propriamente dita, a gestora também operacionaliza todo o  processo. Não é necessário se preocupar com análise de mercado, seleção de ativos, compra, venda, renovação de títulos ou rebalanceamento de carteira. A relação com o consultor (não assessor)  é essencial para entender perfil e objetivos de cada investidor que dará o “ok” para investir e pronto: daí pra frente é com a gestora – e tudo isso por aquela taxa fixa antes de começar a investir.

Felizmente, este é um modelo que tem ganhado força no Brasil, com gestoras especializadas que utilizam algoritmos e tecnologia de automação para ajudar seus clientes a montar as melhores carteiras de investimento, sem conflitos de interesse. Assim é possível ter uma carteira alinhada com os objetivos de cada um, gerida por profissionais, além de conseguir acompanhar tudo que está acontecendo pela plataforma da empresa e ter acesso direto ao consultor para ajudar caso passe por uma mudança de planos que pode refletir em seus investimentos ou esteja preocupado com a situação atual do mercado.

*Lucas Taxweiler, especialista em investimentos da Magnetis

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