‘Quando vem ano de campanha todos os partidos procuram as grandes empresas’, diz executivo preso na Lava Jato

‘Quando vem ano de campanha todos os partidos procuram as grandes empresas’, diz executivo preso na Lava Jato

Em depoimento, Othon Zanoide, da Queiroz Galvão, afirmou conhecer tesoureiro do PT

Redação

17 de novembro de 2014 | 21h24

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

O executivo da construtora Queiroz Galvão Othon Zanoide de Moares Filho, um dos presos da Operação Lava Jato, afirmou

que conhece o tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o doleiro Alberto Youssef. Segundo ele, Vaccari e Youssef eram os “arrecadadores do PT e do PP, respectivamente”.

“Conhece tesoureiros ou arrecadadores de algum partido político?”, questionou um delegado da Polícia Federal. “Sim, conheço o João Vaccari do PT, o próprio (Alberto) Youssef era um arrecadador do PP”, afirmou o executivo.

“Quando vem ano eleitoral, ano de campanha, todos os partidos políticos procuram as grandes empresas atrás de doações de campanhas”, disse Othon Zanoide de Moraes Filho.

Segundo o executivo, a Queiroz Galvão criou um comitê, que era presidido por outro diretor preso na operação – Ildefonso Colares Filho –, que decidia quem receberia as doações. “A gente analisava a nível de Brasil todas as demandas, porque são vários estados e municípios, se a gente sair atendendo todo o mundo, a empresa quebra”.

Ele negou, porém, ter pago ou conhecer o esquema de propina – desbaratado pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República na Petrobrás-, que envolvia PT, PMDB e PP e que abasteceu também o PSDB e o PSB. Zanoide afirmou ainda que eram feitas doações legais e que desconhecia dinheiro não declarado.

Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa confessaram à Justiça Federal terem operado um esquema de propina nos grandes contratos da Petrobrás. Eles disseram operar a cobrança de 1% do PP e que Youssef era responsável por arrecadar o dinheiro e distribui-lo. Para o PT, eles apontaram Vaccari como o operador. No PMDB, Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano – que teve a prisão temporária decretada e é um dos dois foragidos.

O executivo da Queiroz Galvão e outros três presos (um da mesma empresa e outros dois da Engevix) também negaram nos depoimentos conhecer a cobrança de propina, mas admitiram conhecer os personagens do esquema.

Seus depoimentos foram anexados por seus defensores nos pedidos de revogação das prisões. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, negou a revogação.

A sétima etapa da Lava Jato mirou o braço do PT, via Diretoria de Serviços, no esquema de corrupção e propina na Petrobrás e o núcleo empresarial. O ex-diretor de Serviços, Renato Duque, indicação petista na divisão de diretorias entre os partidos da base, era o elo de Vaccari, que seria o operador do partido, segundo afirmam os delatores Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa.

Documento

  • depoimento otho   PDF

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