‘Quando jogamos luz na corrupção é a melhor forma de limpar tudo’, diz Janot nos EUA

‘Quando jogamos luz na corrupção é a melhor forma de limpar tudo’, diz Janot nos EUA

Em seminário promovido pelo site jurídico Jota e pela Atlantic Council, em Washington, procurador-geral da República rechaçou argumento de que a Lava Jato contribui para a crise econômica no Brasil

Luiz Vassallo

19 Julho 2017 | 16h09

Rodrigo Janot. Foto: Reprodução

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rebateu nesta quarta-feira, 19, o argumento de que a Operação Lava Jato está contribuindo para a crise econômica no Brasil. Em seminário promovido pelo site Jota e pela Atlantic Council, em Washington, Janot disse que as investigações, na verdade, encontraram os motivos que levaram aos problemas econômicos brasileiros, como irregularidades envolvendo o cartel de empreiteiras que impediam a liberdade do mercado.

“Hoje, o Brasil está passando por três crises: ética, política e econômica. Para justificar a crise econômica e política é comum atribuir essas crises como consequências dessa grande investigação – a maior – na América Latina. O que costumo dizer é que a crise econômica não resulta da investigação”, disse o procurador-geral da República.

Janot ainda considerou que as investigações descobriram ‘um esquema de cartel que prejudicava a livre concorrência de mercado’. Para ele, o cartel, sim, afetava a economia.

“Nós ouvimos todos os dias que o sistema judiciário está criminalizando a política. Isso não é verdade. O que nós fazemos é aplicar a lei criminal respeitando o direito de defesa, e procurando pelos criminosos sem relação com o fato de eles exercerem mandatos políticos. Mas não é uma ação política. É apenas aplicar a lei. A lei que existe é para ser aplicada a todos, independentemente de suas religiões e de seu status. Isso é o que o Brasil está fazendo. Quando jogamos a luz na corrupção é a melhor forma de limpar tudo”, afirmou.

O procurador-geral da República ainda disse considerar que a América Latina está hoje ‘diferente’ e que, atualmente’, há ‘menos ditaduras, mais democracia e mais liberdade de imprensa que expõe as investigações’.