Quando a gente é, não precisa dizer

Quando a gente é, não precisa dizer

Cassio Grinberg*

31 de agosto de 2021 | 08h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Recentemente eu estava em uma reunião com o time de gestores de um cliente, avançando na discussão sobre o alinhamento de seu propósito — parte importante na realização de um Planejamento Estratégico.

Quando estávamos sintonizando a “frase”, uma das sócias sugeriu que tirássemos o adjetivo, e deixássemos apenas a base. Tratava-se de um daqueles adjetivos que qualificava a marca, como “legal”, “feliz”, “contemporânea”, “inovadora”, “diferente” — o qual deixamos de lado imediatamente após o argumento dela: “quando a gente é, não precisa dizer”.

Eu estou sempre aprendendo (e desaprendendo) com meus clientes, e este é um ensinamento que, neste momento de mundo, serve não apenas a empresas, mas principalmente às pessoas que as compõem.

Muitos de nós passamos boa parte do tempo (boa parte mesmo: consulte seu histórico de horas de uso dos apps) nos preocupando em provarmos algo: que estamos felizes, que temos namoradas, que temos um bom carro, que moramos bem, que viajamos bastante, que nossos filhos são feras — e quanto mais tentamos provar, mais nos afastamos da essência: pense no tempo “real” que você deixa de aproveitar quando interrompe um momento para trocá-lo pelo virtual.

Esse hábito, em efeito cascata, joga no time contrário da produtividade: dificilmente, ao produzirmos o virtual, não permaneceremos um bom tempo checando se existe algo de novo nas reações, o que nos afasta do que realmente importa.

É claro que registrar é legal, que seguidores nem sempre são perseguidores, que compartilhar bons momentos também fala de felicidade, que mostrar felicidade também gera uma boa energia no mundo, que estimular para o esporte conduz à saúde, que gerar conteúdo inspira ao estudo, e que mostrar novos lugares estimula pessoas a serem mais curiosas.

Mas, se possível, pense em acertar a medida: guarde mais luares nos olhos, mais abraços na alma, mais momentos nas memórias, mais conversas no pé do ouvido.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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