Qual o futuro do modelo home office no Brasil pós-pandemia?

Qual o futuro do modelo home office no Brasil pós-pandemia?

Anna Moreira Bianchi*

20 de fevereiro de 2021 | 04h30

Anna Moreira Bianchi. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em 2020, com a pandemia e o decorrente isolamento social como medida de prevenção, o trabalho remoto se tornou realidade para uma boa parte dos brasileiros e acabou se transformando em uma tendência para muitas empresas, que podem adotar o sistema permanentemente. De acordo com um estudo realizado pela Cushman & Wakefield, 74% dos executivos entrevistados afirmam que a intenção é manter o home office no Brasil pós-pandemia. Além do grande crescimento previsto, o modelo deverá ser adotado em alguma escala por 80% das empresas no Brasil, conforme levantamento da Associação Nacional para Economia Empresarial (NABE).

Dentro deste cenário, qualidade de vida e maior flexibilidade para o colaborador são os argumentos positivos para os defensores do home office, que encontram resistência dos que alegam dificuldade em manter a comunicação alinhada e o time unido para alegar a importância da volta ao trabalho presencial.

A verdade é que as limitações que o trabalho remoto enfrentava antes da pandemia foram ajustadas. Processos e rotinas internas, principalmente as que necessitavam de interação pessoal, tiveram de ser revistas e adaptadas para comportar todas as mudanças do novo sistema, pois mesmo permanecendo em casa, os colaboradores precisam executar todas as tarefas profissionais normalmente.

Além disso, a preocupação dos gestores em manter os funcionários empenhados e alcançando os resultados esperados se dissipou rapidamente devido às transformações ágeis impostas pelo período. Ficou comprovado que a performance dos empregados foi acima da média, mesmo com as incertezas de uma infraestrutura caseira e as distrações presentes. O segredo foi se adaptar à nova realidade. Sem o estresse do deslocamento até o local de trabalho, muitas vezes com trânsito ou transporte público lotado e ineficaz, foi mais fácil se acostumar com o novo ambiente de trabalho e produzir mais. Sem contar que, trabalhar em casa significa passar mais tempo com a família. Esses benefícios, além da redução de custos tanto para a empresa quanto para os funcionários, fazem do modelo home office um grande atrativo.

Contudo, nem todas as organizações pretendem manter o home office após o fim da pandemia. A justificativa é a falta de comunicação e aproximação entre os times e também uma alternativa para os profissionais que estão tendo dificuldades com o home office. O isolamento social forçado trouxe à tona a fragilidade da saúde mental na sociedade. Preocupação com a própria saúde e a dos entes queridos, com a crise financeira, a solidão de quem vive sozinho e todas as outras incertezas sobre o amanhã fez com que a ansiedade e depressão aumentassem em níveis alarmantes entre os brasileiros. Sem a barreira da vida social e trabalho e um convívio coletivo cotidiano, os casos de burnout se multiplicaram. É importante deixar claro que as instituições que pretendem voltar ao trabalho 100% presencial ofereçam segurança e condições adequadas para seus profissionais.

Mesmo que a tendência do trabalho remoto ganhe cada vez mais espaço num futuro próximo, tanto no cenário corporativo brasileiro quanto no mundo, é o modelo híbrido que deve prevalecer quando a normalidade se instalar novamente. Este conceito novo, que ganhou os holofotes durante a pandemia, tem como objetivo de encontrar o melhor dos dois mundos, ao unir a flexibilidade com a gestão próxima e comunicação alinhada.

Os dois métodos fornecem resultados positivos, desde que os processos estejam bem alinhados e seus propósitos muito claros. Ainda assim, independentemente do tipo de modelo de trabalho, é a cultura organizacional de uma empresa e sua gestão que fará a grande diferença na vida dos colaboradores. Cabe a ela também investir na capacitação e treinamento em educação de mercado para gestores e funcionários, com o objetivo de promover uma administração sábia e eficiente, tanto para o modelo de trabalho remoto quanto para o híbrido neste “novo normal” que está cada vez mais perto de nós.

*Anna Moreira Bianchi é CEO da NeoAssist

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