Qual é a relação entre UX e a jornada do investidor? 

Qual é a relação entre UX e a jornada do investidor? 

Walter Poladian*

31 de outubro de 2020 | 07h00

Walter Poladian. FOTO: DIVULGAÇÃO

Hoje qualquer loja virtual em que alguém entrar para pesquisar e/ou comprar um produto tentará facilitar ao máximo sua navegação, permitindo que encontre o que procura e faça o pedido com poucos cliques, ou até sem necessidade de cadastro em alguns casos. Tudo pensado para trazer comodidade e agilidade à jornada de compra: enquanto o consumidor consegue o que quer rapidamente, o negócio ganha uma conversão a mais. Esse conceito, porém, não fica restrito ao comércio eletrônico. Outras áreas começam a apostar nessa melhor experiência para oferecer novas soluções – e o mercado financeiro não está de fora. 

A proposta da experiência de usuário (UX, na sigla inglesa) se consolidou nas últimas décadas acompanhando a evolução da tecnologia. Sua lógica é bem simples: identificar as necessidades das pessoas por meio dos dados digitais para desenvolver produtos e serviços que atendam a essas demandas, promovendo maior fidelização e aumentando as vendas. Isso vale tanto para a navegação em um site quanto para a criação de complexas ferramentas tecnológicas. No caso das finanças, foram as fintechs que mostraram ao setor ser possível combinar os serviços financeiros com uma estratégia voltada aos usuários.

Não se trata apenas de realizar transferências bancárias e pagamento de contas no aplicativo de seu banco, mas também, principalmente, de saber como melhorar seu patrimônio acessando segmentos que, antes, eram incompreensíveis a grande parte da população. É o que ocorre com os investimentos. Desenvolver soluções com foco na experiência do usuário, ou seja, com informações adequadas em cada etapa e navegação intuitiva, garante uma jornada de investimento mais segura e, consequentemente, mais rentável. 

Pense, por exemplo, no caminho que um investidor trilha ao longo do tempo. Do momento em que ele resolve alocar parte de seu rendimento em um ativo até atingir seus principais objetivos, ele conta com o apoio e o conhecimento de diferentes players até formar, ele próprio, uma consciência maior sobre os riscos e os atalhos desse mercado. A questão é que antes ele ficava refém das opiniões de gerentes de bancos para esse aconselhamento, mas agora pode contar com o apoio da tecnologia. As melhores soluções de consolidação de investimento são pensadas nas necessidades dos investidores, oferecendo uma visão completa de sua carteira e mostrando indicadores que facilitam a tomada de decisão sobre a gestão de todos os ativos. 

Portanto, há uma relação direta entre a melhora da experiência do usuário e o aumento e a diversificação dos investimentos. A pesquisa Ecossistema do Investidor Brasileiro, realizada pela B3, identificou que quanto maior o conhecimento das pessoas em determinado ativo, maior o percentual de posse. Ou seja, o desconhecimento afasta os investidores. Além disso, o Estudo de Investidores Globais 2020, realizado pela consultora Schroders Brasil, mostra que, enquanto investidores “especialistas” buscam informações externas, os “iniciantes” tendem a acatar conselhos de amigos ou pesquisar por conta própria. 

Não há mais espaço no mercado financeiro para quem ignora os anseios e desejos de seus clientes. Em um cenário de grande incerteza por conta da pandemia de covid-19, saber o que eles querem e buscam é praticamente metade do caminho para obter crescimento sustentável. Na área de investimentos, isso significa oferecer as condições adequadas para que mais e mais pessoas possam afastar o receio e o desconhecimento que envolvem o segmento e, finalmente, aproveitarem as vantagens de ter o dinheiro trabalhando para seus objetivos.  

*Walter Poladian, CFP® é planejador financeiro e sócio-fundador da Fliper, plataforma de consolidação automática de investimentos

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