Quais são os aprendizados que tivemos na maneira que ensinamos e aprendemos durante a pandemia?

Quais são os aprendizados que tivemos na maneira que ensinamos e aprendemos durante a pandemia?

Carol Manciola*

02 de setembro de 2020 | 05h45

Carol Manciola. FOTO: DIVULGAÇÃO

Leonardo DaVinci tem uma frase famosa que diz: “Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro”. Para mim, ela nunca fez tanto sentido como nos dias de hoje.O isolamento causado pelo novo coronavírus provou que é possível se adaptar rapidamente. A área de Treinamento e Desenvolvimento das empresas, por exemplo, foi uma das que mais sofreu os efeitos da pandemia e precisou se reinventar para auxiliar as empresas e seus colaboradores na rotina desse “novo normal”. Mas, apesar do cenário desafiador, é possível enxergar alguns aprendizados, principalmente na relação entre ensinar e aprender.

Isso significa olhar para além do meio da transmissão do conhecimento, mas principalmente para o formato. Não se trata de abrir a câmera, filmar o curso, e fazer um treinamento a distância. É preciso um processo de co-construção que estimule constantemente nos participantes o protagonismo como base para o “long life learning” (conceito de educação ao longo da vida).

Após desenvolvermos e entregarmos tantas soluções educacionais, minha visão sobre o processo mudou e ganhou novos significados. Entre os principais aprendizados que tive estão:

1.    Palestras on-line são altamente impactantes: Nesse formato, o palestrante tem a possibilidade de sentir o calor do público por meio das interações no chat. O compartilhamento de slides alternados permite um diálogo mais flexível e centrado nos objetivos do grupo.

2.    Workshops síncronos permitem muitas interações: reunir pessoas digitalmente durante 2 ou 3 horas tem se mostrado altamente efetivo. Percebi que ir direto às mensagens-chaves que você precisa passar enriquece muito a pauta e torna a aprendizagem fluida. Grupos de trabalho em salas de reunião, por exemplo, permitem uma discussão assertiva e a tecnologia rapidamente consolida as informações, permitindo um debriefing apurado.

3.    Lives geram grandes insights: definir um tema e discorrer sobre ele ao longo de um bate papo moderado dá luz às ideias que, não necessariamente, estavam pré-definidas. As perguntas da audiência, provocam novas conexões e com isso boas novas reflexões se tornam possíveis. 

4.    Vídeos customizados conectam com a audiência: seja por meio de uma websérie ou vídeos temáticos, é possível prender atenção e deixar um gostinho de quero mais. Ao explorar o “porquê”, a audiência é estimulada a buscar “como” tornando a aprendizagem autodirigida.

5.    Podcasts libertam: um roteiro estruturado e uma conversa leve, que podem ser ouvidos paralelamente à outras atividades, ampliam as possibilidades de aprendizagem, permitindo aos interessados aprender no seu tempo e otimizando seu tempo, afinal, tempo é vida.

Esses últimos meses foram extremamente imprevisíveis e complicados, principalmente para quem atuava com metodologias presenciais, como o setor de T&D. Mas, foram essas experiências que nos deram a oportunidade de descobrir novas formas de promover conexões reais que estimulam a aprendizagem e geram resultados efetivos. 

inspirar, engajar e gerar performance são a essência de quem trabalha com capacitação e desenvolvimento humano. Inspiração tem a ver com vestir a camisa. Engajamento com suar a camisa. Performance é transformar tudo isso em resultado. Se não podemos mudar o jogo, nem as regras, cabe a nós compreender o contexto para nos mantermos em campo.  

Existem muitas formas de construir o conhecimento e buscar metodologias flexíveis a esse momento tem se mostrado uma estratégia muito efetiva para os profissionais de T&D. Se o momento exige reinvenção, vamos usar nossa criatividade mantendo nossa essência.

*Carol Manciola, CEO da Posiciona

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