PT se mobiliza para o novo interrogatório de Lula

PT se mobiliza para o novo interrogatório de Lula

Pela primeira vez, desde que foi preso no dia 7 de abril para cumprir pena de 12 anos e um mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá, ex-presidente deixará nesta quarta, 14, a sala especial da PF rumo à Justiça Federal para depor em outra ação na qual é réu, a do sítio de Atibaia

Ricardo Brandt e Julia Affonso

13 Novembro 2018 | 13h40

Lula no Rio em 2 de abril de 2018, dias antes de ser preso. FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

O PT mobiliza suas lideranças e movimentos sociais para o novo interrogatório do ex-presidente Lula. Nesta quarta, 14, o petista deixará pela primeira vez, desde que foi preso no dia 7 de abril, a sala especial que ocupa na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre pena de 12 anos e um mês de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá.

Lula vai ser ouvido em outra ação penal, a do sítio de Atibaia (SP), em que é réu pelos mesmos crimes – segundo a força-tarefa da Lava Jato, o ex-presidente teria sido contemplado com propina de R$ 1,02 milhão, parte desse valor supostamente repassado pela Odebrecht e OAS por meio de obras de reforma e melhorias na propriedade rural. O petista vai prestar depoimento no prédio da Justiça Federal em Curitiba.

Pela primeira vez, também, a Lava Jato não vai ter o mais emblemático duelo que já produziu, Lula e Sérgio Moro frente a frente.

O magistrado vai pedir exoneração da carreira que segue há 22 anos para assumir, em janeiro, o superministério da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro. Na prática, ele já se desligou da Lava Jato e da toga.

Em duas audiências anteriores, Moro interrogou o petista, no caso do triplex do Guarujá e em um terceiro processo, o da compra de um apartamento em São Bernardo do Campo e de um terreno que, segundo a acusação do Ministério Público Federal, seria destinado ao Instituto Lula.

Nesta quarta, quem vai interrogar o ex-presidente será a juíza Gabriela Hardt, substituta da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, sucessora de Moro. Nos últimos dias, ela já tomou os depoimentos de outros réus da ação do sítio de Atibaia, como dos empreiteiros Marcelo e Emílio Odebrecht, delatores da Lava Jato.

Lideranças do PT e movimentos sociais vão acompanhar o novo depoimento do ex-presidente. O partido que Lula fundou nos anos 1980 afirma que ele é um ‘preso político’, após ser condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), por unanimidade.

O site do PT informou que o Comitê Nacional Lula Livre – formado também pelas frentes Brasil Popular, Povo sem Medo e outros movimentos – vai ‘acompanhar Lula em mais esse episódio de perseguição contra o ex-presidente e seu legado’.

Segundo o PT, a presidenta do partido, senadora Gleisi Hoffmann, o líder da bancada petista na Câmara, Paulo Pimenta, e lideranças de diversos grupos sociais ‘estarão em Curitiba para defender Lula e pedir um julgamento justo para o presidente’.

Esquema de segurança

A Polícia Militar informou que os acessos ao prédio da Justiça Federal e as imediações serão fiscalizados ‘para garantir os procedimentos de oitiva’ de Lula. A PM vai apoiar a Polícia Federal e a Justiça Federal e contará com interdição de trânsito no entorno durante os procedimentos de escolta e durante o depoimento.

“Adotamos medidas preventivas para garantir que os procedimentos da Justiça e da Polícia Federal sejam cumpridos com segurança e tranquilidade. Atuaremos de maneira a não impactar a vida dos moradores e comerciantes locais, garantindo a mobilidade social, e o controle de trânsito apenas durante os procedimentos”, disse o Comandante do 1º Comando Regional da PM (1º CRPM), coronel Péricles de Matos.

Segundo a PM, a corporação estará nas imediações desde o início da manhã de maneira gradativa. As escoltas do ex-presidente serão feitas pelas equipes da Polícia Federal e os batedores (que apoiarão essas equipes) serão os integrantes do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) para garantir a fluidez do trânsito, bem como orientar o cidadão durante o deslocamento de ida e volta do ex-presidente.

Em nota, a Polícia informou que nas proximidades da Justiça Federal também haverá orientação de trânsito e congelamento da Praça em frente à Justiça Federal e de parte da Avenida Anita Garibaldi na região que compreende o prédio.

A preparação da Polícia Militar conta com o emprego dos seis batalhões que atuam na Capital, mais o apoio do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA), que oferecerão suporte para as demais equipes policiais. O trabalho será coordenado pelo 1º Comando Regional da PM (1º CRPM), e contará com efetivo suficiente para atender a comunidade em os órgãos constituídos durante os trabalhos.

Também participam da operação efetivos de seções administrativas do Quartel do Comando-Geral da PM (QCG), de maneira a não interferir no policiamento ordinário feito em toda a Capital. Em conjunto com a PM, atuarão de maneira integrada o Corpo de Bombeiros, a Polícia Federal, a Prefeitura de Curitiba, a Polícia Civil e outros órgãos.

O trabalho contará com o reforço de patrulhamento em toda a cidade, principalmente nas imediações do prédio. A presença dos policiais militares também será para acompanhar a movimentação de pessoas no entorno do perímetro de segurança. Também haverá apoio do Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), situado no 5º andar do prédio da Secretaria de Segurança Pública.

Os serviços na Justiça Federal ocorrerão normalmente durante o dia todo (com exceção do restaurante) e o cidadão terá seu acesso garantido com o acompanhamento de policiais militares até o local de atendimento. É necessário apresentar o documento de identidade aos policiais para a entrada ao perímetro que dará acesso ao prédio.

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