PT dava ‘algum suporte’ a esquema de corrupção na Petrobrás, diz delator

Mário Góes, apontado como operador de propinas na Diretoria de Serviços da estatal, fechou acordo com a Lava Jato; ele atribuiu a informação sobre o partido ao ex-gerente de Engenharia da estatal

Redação

30 de julho de 2015 | 05h00

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Mário Góes, o novo delator da Lava Jato. Foto: Reprodução

Por Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

O novo delator da Operação Lava Jato, o lobista Mário Góes, declarou à força-tarefa da Operação Lava Jato que o PT dava ‘algum suporte’ ao esquema de corrupção na Petrobrás. Apontado como operador de propinas da Diretoria de Serviços da Petrobrás, ele afirmou que usava suas empresas Riomarine e Phad Corporation para receber valores do ex-gerente de Engenharia da estatal Pedro Barusco.

“Nessa época (por volta de 2003 ou 2004), Pedro Barusco propôs ao declarante que utilizasse a sua empresa a Riomarine, que era bastante conhecida e respeitada no mercado, para que ele pudesse receber suas comissões junto aos negócios em que ele tinha alguma relação”, transcreveu a Polícia Federal

Preso preventivamente em Curitiba, frente a frente com o juiz federal Sérgio Moro, em duas ocasiões, Mário Góes chorou. Em depoimento à PF, já no âmbito do acordo de colaboração premiada, Mário Góes afirmou à Polícia Federal que Pedro Barusco lhe disse que já teria ‘outros esquemas da mesma natureza com outras empresas’.

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Ele contou que ‘se mostrou inicialmente preocupado com a proposta, embora já sentisse que havia alguma atuação de Barusco nesse sentido há algum tempo’.

Mário Góes declarou que o ex-gerente de Engenharia da Petrobrás ‘gostava mais de jantares, cabendo a Barusco de fato atuar na gestão das atividades da Diretoria de Serviços, resolvendo as coisas’.

Segundo o delator, Barusco o tranquilizou dizendo que haveria outras pessoas envolvidas no esquema e que o ‘Partido dos Trabalhadores estaria dando algum tipo de suporte a essa atividade’.

Mário Góes está preso desde fevereiro de 2015. Ele explicou à força-tarefa da Lava Jato que ‘desde o início a divisão dessa comissão era feita da seguinte forma, o valor era dividido por seis ou por sete’.

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Ele não soube dizer ‘ao certo porque às vezes era de uma forma ou de outra’, mas incluiu o nome do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque como um dos beneficiários do dinheiro.

“Quando a divisão era por seis, Barusco dizia que duas partes seriam para Renato Duque, duas para o próprio Barusco, uma para o declarante”, registrou a Polícia Federal.

A sexta parte era dividida no porcentual de 60% para Barusco e 40% para o próprio Góes, ele disse. Nas vezes em que a divisão era por sete, Mário Góes não soube para quem iria a sétima parte. “Quanto ao valor destinado ao partido (PT), Barusco dizia que era ‘uma outra parte’, sendo que o declarante nunca participou e preferia não saber de tal assunto.”

O PT tem reiterado que todos os valores que o partido arrecada têm origem lícita, são contabilizados e declarados à Justiça eleitoral.

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