PSOL pede a Janot federalização da morte de empresário da Turbulência

PSOL pede a Janot federalização da morte de empresário da Turbulência

Paulo César Morato, encontrado morto em um quarto de motel em Olinda, envenenado, é considerado o 'testa de ferro' de esquema que teria desviado R$ 600 milhões na campanha de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 2014

Vitor Tavares, Julia Affonso e Ricardo Brandt

06 de julho de 2016 | 04h00

O corpo do comerciante Paulo Morato foi encontrado em motel em Olinda (PE). Foto: Sergio Bernardo/JC Imagem

O corpo do comerciante Paulo Morato foi encontrado em motel em Olinda (PE). Foto: Sergio Bernardo/JC Imagem

 

O PSOL pediu nesta terça-feira, 5, ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a federalização das investigações sobre a morte do empresário Paulo César de Barros Morato, considerado pela Operação Turbulência, da Polícia Federal, o testa de ferro do esquema que teria movimentado mais de R$ 600 milhões na campanha de Eduardo Campos ao governo de Pernambuco e na aquisição do jatinho usado por ele na campanha presidencial de 2014 – Campos morreu em agosto daquele ano, vítima de um acidente aéreo com o jatinho em Santos, litoral de São Paulo.

Morato foi encontrado morto em um motel de Olinda, no Grande Recife, em 22 de junho, um dia após a deflagração da operação. Havia um mandado de prisão expedido contra ele.

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A investigação sobre a morte do empresário está a cargo da Polícia Civil de Pernambuco.

O pedido foi apresentado pelo deputado estadual Edilson Silva (PE), que se reuniu em Brasília nesta terça com a bancada do partido na Câmara. Do encontro, ficou decidido que o deputado federal Ivan Valente (SP), líder da legenda, vai acompanhar o pedido junto à Procuradoria-Geral da República.

O PSOL preparou um dossiê alegando falhas na investigação realizada pela Polícia Civil de Pernambuco. De acordo com Edilson Silva, há um ‘conluio político do governo do Estado que tem atuado para que a polícia não investigue a morte de Morato’.

O atual governador, Paulo Câmara (PSB), é afilhado político de Campos e foi escolhido pelo seu antecessor para disputar a chefia do executivo estadual. Em declaração à imprensa na semana passada, Câmara se mostrou favorável que o caso continue na esfera estadual.

No documento do partido, há críticas sobre a desistência da realização de perícias no quarto onde Morato foi encontrado morto. Os peritos da Polícia Científica chegaram a ir ao motel, mas acabaram recebendo uma ligação e não fizeram o exame. “A Polícia Científica deveria estar ligada à Polícia Civil, mas em Pernambuco ela responde diretamente à Secretaria de Defesa Social. Há vários desvios de condutas nesse caso, e não falo dos policiais, e também muitas restrições no trabalho dos papiloscopistas. O Ministério Público Federal tem que sensibilizar por causa da importância desse caso no Estado”, disse Edilson.

De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS) do Estado, a causa da morte de Morato foi envenenamento por um pesticida conhecido como ‘chumbinho’. A delegada responsável pelo caso, Gleide Ângelo, ainda não apresentou a conclusão do inquérito. O chefe de comunicação do órgão, Otávio Toscano, entretanto, antecipou à Agência Brasil que a conclusão da Polícia vai provar que Morato teria se suicidado e não foi vítima de homicídio.

A reportagem procurou a Secretaria de Defesa Social. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL:

“A Polícia Civil de Pernambuco tem total autonomia para investigar o caso do empresário Paulo César Morato, encontrado morto em um motel no dia 22 de junho. Nenhuma das perícias requisitadas pela presidente do inquérito, a delegada Gleide Ângelo, deixou de ser realizada, não havendo qualquer razão para o deslocamento da competência para a esfera federal”

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